terça-feira, 8 de dezembro de 2009

A Magia do Papai Noel



Até quando acreditar no bom velhinho?

A gente percebe que o Natal está chegando quando andamos pela cidade e começamos a ver os enfeites comemorativos. São milhões de luzinhas coloridas, árvores decoradas, neve de algodão e isopor em pleno verão e muitos papais-noéis pelas ruas. Se os adultos já ficam fascinados com tanta beleza, as crianças então não cabem em si de contentamento e euforia, aguardando a chegada do grande dia. A partir dos 2 anos elas já começam a entender os significados do Natal e a espera pelo Papai Noel acaba sendo uma constante trazida pelos anos.

Esta crença é considerada super saudável pelos psicólogos, pois é nesta fase que as crianças começam a compreender que a fantasia é o primeiro passo para transformar um desejo em realidade.

Mesmo depois que a infância passa, a magia da época do Natal e a chegada do Papai-Noel são fatos que ficam marcados para sempre na memória e que influenciam, inclusive, na educação dos filhos quando o assunto é este. "Minha infância foi bem humilde, mas nem por isso meus pais deixaram o Papai Noel passar em branco. Todos os anos eu escrevia a cartinha e esperava ansioso pela chegada dele, que só vinha quando eu dormia.

Quando minhas filhas eram menores, eu achava o máximo vê-las conversando sobre o que escrever na cartinha do Papai Noel", diz o administrador de empresas, Enio Albini, pai de Jéssica (14), Helenice (12) e Verônica (7).

Segundo o psicólogo Dr. Paulo Vaz, a descoberta da não existência do Papai Noel acaba vindo sozinha, conforme a criança vai crescendo e, se isso se desenvolver de maneira natural, ou seja, respeitando os limites da criança, esta situação só vem a ser benéfica para o seu desenvolvimento.

"Os pais exercem um papel muito importante neste momento de transição da fantasia e realidade. Cabe a eles deixá-las livre para que elas se sintam seguras nesta mudança", diz o especialista.

Levar a lembrança do Papai Noel durante a vida é algo mais que comum entre os adultos. A jornalista Vanessa Grinberg conta que acreditou no bom velhinho até seus oito anos, mas que aos poucos foi percebendo que eram os pais quem compravam o presente de Natal.

"Acho que todos os pais devem cultivar esta fantasia, porque faz parte da magia e do encantamento da data. Além do fato de que, no mundo em que vivemos, no qual crianças vivenciam violência e cobranças, é importante preservar um pouco da ingenuidade delas", diz.

E viver esta ingenuidade é uma delícia. A jornalista Fabiana Scaramella conta com alegria uma conversa que teve com o filho, o pequeno Eduardo, de 6 anos, no Natal do ano passado. Quando perguntou à menina o que queria ganhar de Natal, a filha logo respondeu: "Não se preocupe mamãe, já escrevi uma cartinha para o Papai Noel pedindo o meu brinquedo, assim você não precisa gastar dinheiro".

E estas fantasias são algo que a criança cria para si, porque ela precisa disso. Desde muito nova ela vai criando um mundo do seu jeito e conforme a vida vai acontecendo, vai encontrando as realidades. Esta fase de fantasia, no entanto, é algo que vamos levar por toda a vida, mas que na criança é mais manifesto. "Conforme vamos crescendo, vamos alternando o que fantasiamos, as crenças vão se modificando, mas elas ainda estão lá", explica Dr. Vaz. Incentivar seu filho a viver intensamente cada etapa de sua vida é fundamental para que estas transições sejam o mais saudável possível. "As transformações da criança dependem muito do se desenvolvimento dentro da família. Os pais são o seu suporte. Isso vale para a vida toda.", finaliza o psicólogo.

Denise Ferreira


Desejo a todos que o NATAL seja mais um momento em que as pessoas acreditem que vale a pena viver um ANO NOVO.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

FÉRIAS: CRIANÇA PRECISA BRINCAR



É por meio da brincadeira que a criança interpreta a realidade, executa sua fantasia e conhecimento,assimilando assim as aprendizagens necessárias para sua vida futura. É tambem na brincadeira que aprende a elaboração, negociação de regras de convivência e a representação de sentimentos e emoções. Ao brincar de casinha, escolinha , médico, dentista...ela representa e interpreta o mundo.
A criança, ao brincar, não só repete situações prazerosas como também elabora aquelas que lhe são traumáticas ou amedrontadoras. Nos momentos lúdicos e aparentemente simples é que surgem diálogos fantásticos. São nesses momentos de interação com a fantasia e a realidade que a criança "cresce" e desenvolve sua personalidade.
Se pensarmos que brincar é simplesmente bagunça, reduzimos a evolução psicossocial infantil a um simples passatempo desqualificando a criança, a pedagogia e a psicologia.
Brincar molda os sentimentos e orienta os afetos.
Existem brincadeiras para lidar com os medos, com a coragem, com o desconhecido... as brincadeiras de bicho papão, de super-herói, as de casinha, de pega-pega, de escolinha, de escritório, de lojinha e muitas outras. Há sempre um sentido para a criança e é maravilhoso quando são criadas condições para que elas brinquem livre e espontaneamente.
A escola oferece todas as facilidades para as brincadeiras, apesar de ensinar também tantas coisas sérias.É comum encontrar crianças com uma agenda sobrecarregada: escola, natação, informática, balé, judô, inglês...Tantos compromissos acabam gerando stresse. Criança também tem stresse! Ela precisa de um tempo de lazer, livre de tudo, para que possa descansar - o que para ela significa BRINCAR e repor as energias, preparando-se para o próximo ano letivo.

Até as férias, que antes eram feitas de brincar na praia e descansar, hoje em dia são recheadas de compromissos e corre-corre.
O importante é que tomemos consciência de que a fase de criança é curta e passa muito rápido, portanto, que nossos pequeninos possam curtir sua infância intensamente!

Nenhum momento melhor do que o tempo de FÉRIAS.
Portanto, deixe seus filhos à vontade nas férias para que brinquem livremente e o quanto desejarem.Deixe que corram, pulem, gritem, façam novas amizades e vivenciem novas aventuras infantis.
Não se preocupe com o horário para dormir, levantar, almoçar, jantar, dormir. Sair da rotina é gostoso, saudável e faz bem. Aproveite para curtir a companhia de seus filhos e amigos . Divirta-se observando suas brincadeiras, mas reserve um tempo para você. Afinal TODOS estão em férias!


domingo, 29 de novembro de 2009

Timidez e preconceito


"A timidez, inesgotável origem de tantas infelicidades na vida prática, é a causa direta, mesmo única, de toda a riqueza interior" (Emil Cioran)

Não seria um exagero afirmarmos que existe entre nós uma espécie de "ditadura da extroversão", fenômeno gerado pelo fato de priorizarmos, a partir da educação infantil, valores materialistas que combinam com os valores da sociedade de consumo na qual estamos todos inseridos. Porém, este artigo não tem a intenção de aprofundar no sentido sociológico ou psicológico esta questão, e sim, possibilitar ao leitor que faça a sua reflexão a respeito do tema em análise.

Esta abordagem é baseada em uma realidade social: a existência de pessoas consideradas tímidas ou retraídas que geralmente procuram no atendimento psicoterapêutico, a razão de se sentirem diferentes ou à parte de um modelo comportamental vigente na sociedade, que foca na extroversão, o traço de personalidade ideal para que o indivíduo vença na vida...

No entanto, na intimidade dos consultórios, percebemos que essas pessoas catalogadas como "introvertidas" pela ótica de valores da produção e do lucro, possuem em sua maioria, potencialidade intelectual e criativa que permanece latente, ou seja, à espera de uma oportunidade de serem compreendidas e aceitas no "mundo dos extrovertidos". Na verdade são indivíduos estigmatizados - e sutilmente discriminados - por um modelo sócio-comportamental que exige da pessoa, a "marca da extroversão na testa" como condição básica para conseguir sucesso na vida...

Ledo engano! Há milhares de anos o homem persegue a fórmula do equilíbrio vital, que não está nos extremos, mas no meio de forças antagônicas que ao se aproximarem, se completam. Há séculos, as ricas culturas religiosas da India e da China dominam esse conhecimento, que somente a partir do Terceiro Milênio começa a difundir-se no mundo ocidental como nova diretriz para o processo de autoconhecimento do indivíduo.

O que seria da humanidade se existissem somente indivíduos extrovertidos ou introvertidos? Certamente haveria entre nós, seres dotados de inteligência, um desequilíbrio de proporções desconhecidas ou inimagináveis, que teria repercussão no âmbito social e alterado completamente os estudos sobre a natureza humana baseada em sua heterogeneidade comportamental.

O Dicionário da Lingua Portuguesa, define o termo "preconceito" como uma idéia preconceituosa, em geral sem fundamento; intolerância. O mesmo dicionario define o indivíduo "tímido" como aquele que tem temor, receio ou que apresenta dificuldade de relacionamento social. E completa com sinônimos: "acanhado, retraído, débil, frouxo".

Se considerarmos as suas características comportamentais, o tímido é um indivíduo "introvertido", ou seja, voltado para dentro de si ou para a própria vida interior, ou ainda, uma pessoa "introspectiva" que tem o hábito de examinar os próprios pensamentos e sentimentos.

Pelo mesmo ângulo de análise do comportamento humano, temos o antônimo de introversão, que é a pessoa considerada "extrovertida", de fácil relacionamento social, comunicativa, expansiva e que por isso, expressa mais seus pensamentos e sentimentos...

Se entre nós houvesse a predominância absoluta de um desses dois traços de personalidade individual humana, perderíamos com a inexistência de indivíduos extrovertidos, parte de nossa capacidade criativa aplicada nas grandes realizações e descobertas, assim como grande parte do entusiasmo que move o progresso material dos povos através de iniciativas pessoais nos âmbitos social, econômico, político e científico de uma maneira geral. E com a falta de indivíduos introvertidos, a humanidade perderia a sua capacidade de interiorização filosófica, científica - através da pesquisa e investigação -, e transcendental-religiosa, o que tornaria o homem mais dependente do imediatismo decorrente de seus pensamentos, emoções e sentimentos.

Portanto, a timidez - ou introversão - não leva consigo o "atestado" da impotência ou da doença, e sim, um traço de personalidade passível de mudança no sentido de que o indivíduo busque uma melhor conexão com a expansividade natural que a vida lhe oferece. O mesmo raciocínio aplica-se à extroversão como um traço de personalidade em que o extrovertido também deve buscar uma melhor conexão com a capacidade de interiorização que a vida costuma oferecer...

A partir do Terceiro Milênio, gradualmente, o comportamento humano começa a sofrer alterações, e o equilíbrio comportamental entre a capacidade criativa do extrovertido e a capacidade reflexiva do introvertido, torna-se referência para aqueles que desejam evoluir e mudar seus conceitos - e preconceitos - baseados em modelos sócio-culturais. Vejamos o exemplo dos Estados Unidos e da India, embora essa nação seja considerada emergente na avaliação do modelo capitalista. São realidades distintas, isto é, E.U.A a meca do capitalismo e de valores materialistas, e a India, referência mundial de religiosidade e de valores espiritualistas. E dessa forma, entre o oriente e o ocidente, teríamos vários exemplos a registrar...

Quando percebermos o preconceito gerado pela introjeção de valores materialistas que incidem sobre a distinção que fazemos entre uma pessoa considerada extrovertida, portanto aberta, expansiva e comunicativa, e outra, considerada introvertida, portanto "frouxa, retraída e débil", conforme sinônimos encontrados no dicionario, verificaremos, que através de imperceptíveis valores culturais internalizados, sutilmente discriminamos o traço tímido-introvertido de personalidade que deveria coexistir em harmonia com o tipo expansivo-extrovertido.

Informa-nos um dito popular "que na natureza humana os extremos se completam". É justamente esse olhar... essa percepção que precisamos aguçar para entendermos que introversão e extroversão completam-se no centro, isto é, no ponto de encontro de suas diferenças fundamentais. E que, independente do paradígma materialista que ofusca a nossa visão interdimensional, devemos sair em busca desse ponto de equilíbrio até atingirmos a completude e felicidade possível.

Em relação ao comportamento humano, talvez esse seja o nosso maior desafio do Terceiro Milênio: encontrar a unidade entre os polos energéticos que predominam na natureza humana. E a partir desse processo íntimo, cada indivíduo, seja ele reservado ou expansivo, caminhar ao encontro daquilo que lhe falta no atual momento de sua existência terrena, porque tudo é aprendizado e jamais aprenderemos se não sairmos em busca do que precisamos para transformar a si mesmo e ao mundo em que vivemos.


Flavio Bastos

Psicanalista Clínico e Interdimensional.
http://somostodosum.ig.com.br/clube/artigos.asp?id=18820

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Que se passa?



Que se passa?

(Iara Caierão)

O que se passa?
O que acontece contigo?

Tuas mãos não te obedecem.
Teus dedos rijos,
Não querem também obedecer!

Que se passa, menino,
Em tua cabeça,
Em teu coração?

Quanto padece teu corpo!
Quanto padece teu ser!
Ao saber não saber
Que és capaz de também aprender,
Do teu jeito,
Do teu modo,
Também ler e escrever!

Quem te disse que não podes,
Que não sabes,
Que não vais aprender?
O que se passa?
Que se passa contigo?
Não lembras as cores?
As letras, os números?
Nem mesmo teu nome
Consegues escrever?

No entanto,
Carregas um desejo gigante
De mais conhecer!
Perguntas,
Perguntas...
Tu fazes que não sabes
E sabe que sabe
Mas não podes dizer!

Se esconde,
Se mostra
Se veste e reveste
Se transveste
Para que não o descubram
Capaz de aprender!
Onde foi que deixaste
Tua vontade de ser?
Onde foi que enterraste
Teu "sonho-rojão"?
Teu desejo?

Desejo que é vida
Que é ar,
Que é pão.

Onde foi que te esqueceste,
Te perdeste,
Te encolheste,
Como quem quisesse
Da vida abrir mão?

Foi um veredito:
"não vais aprender"?
Ou quem sabe,
Cansou de lutar para mostrar
Que também tu podes
Do teu jeito aprender?


Suscitas-me perguntas,
Interrogações profundas,
Quase sem respostas...
Desperta-me dúvidas
Não sobre ti,
Mas sobre o meu saber,
Tão certo!
Tão igual!
Tão reconhecido, instituído, oficial!

Nas tuas limitações,
Eu vejo as minhas!
Nas tuas dificuldades,
Encontro o meu "não saber"!
És espelho que reflete
O meu "saber-não-saber".
Conhecimento sem corpo
E sem palpitação

Diante de ti,
conecto-me com meu desconhecido,
Com minha ignorância,
Com minha descoordenação motora,
Com meus dedos rijos,
Com minhas mãos duras e indomáveis,
Com minha pouca percepção,
Não de cores e formas,
Mas de mim mesma...

Que se passa menino?
Que acontece contigo?

Concordas com quem diz:
"Nada podes saber!?"
Pois nasceu roxo, fraquinho,
Pequeno e sem ar
Por isso não pode agora aprender...

Que grande mentira!
Disseram-te um dia!
Sonegando-te o direito
De descobrir e aprender!

Ninguém desaprende
O que um dia aprendeu,
Esconde ou rejeita,
Engana ou empana!
Mas tirar o que em vida
A experiência lhe deu,
Nem mágica!
Nem feitiço!
Consegue tirar!

Que se passa menino?
Que acontece contigo?

Bem sabes que sabes,
Bem sabes que do teu modo,
Do teu jeito,
Fazes tua escola e teu saber
Fazes-te aprendente e ensinante
Sujeito e objeto
do teu próprio saber.

A escola te rejeita,
Te enjeita
Pois não marchas
no rítmo que querem
Não respondes em refrão
Não cantas os hinos em coro
Não pedes a benção
Nem beijas a mão...

Pensar diferente tem preço!
Pensar diferente dói
e faz pagão!
Excluídos da escola
Mas não do saber!
Ser diferente do bando,
Da turma,
Não prova que não saiba aprender
Nem sabes, menino,
Que na tua limitação,
Na tua diferença,
No teu jeito de ser,
Aparentemente tão pobre,
Incapaz e desinteligente,
Tens sido pra mim,
A cada sessão,
Um mestre,
Um irmão,
Um ensinante,
Que nada garante,
Mas deixa-me ser...

Que se passa menino?
Que acontece contigo?

Alfabetiza-me na cartilha
Do teu "não-saber",
Para que eu possa descobrir
O sabor da leitura,
E o prazer da escrita
De um texto que ainda não li.


***

Este poema é dedicado ao "ser especial"

(portador de necessidades especiais)


quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Inversão de valores


Esse cidadão dizia "todos os meus heróis morreram de overdose". E era aplaudido.


Uma psicóloga que assistiu ao filme escreveu o seguinte texto:

'Fui ver o filme Cazuza há alguns dias e me deparei com uma coisa estarrecedora... As pessoas estão cultivando ídolos errados..
Como podemos cultivar um ídolo como Cazuza?
Concordo que suas letras são muito tocantes, mas reverenciar um marginal como ele, é, no mínimo, inadmissível.
Marginal, sim, pois Cazuza foi uma pessoa que viveu à margem da sociedade, pelo menos uma sociedade que tentamos construir (ao menos eu) com conceitos de certo e errado.
No filme, vi um rapaz mimado, filhinho de papai que nunca precisou trabalhar para conseguir nada, já tinha tudo nas mãos. A mãe vivia para satisfazer as suas vontades e loucuras. O pai preferiu se afastar das suas responsabilidades e deixou a vida correr solta. São esses pais que devemos ter como exemplo?
Cazuza só começou a gravar porque o pai era diretor de uma grande gravadora..
Existem vários talentos que não são revelados por falta de oportunidade ou por não terem algum conhecido importante.
Cazuza era um traficante, como sua mãe revela no livro, admitiu que ele trouxe drogas da Inglaterra, um verdadeiro criminoso. Concordo com o juiz Siro Darlan quando ele diz que a única diferença entre Cazuza e Fernandinho Beira-Mar é que um nasceu na zona sul e outro não.
Fiquei horrorizada com o culto que fizeram a esse rapaz, principalmente por minha filha adolescente ter visto o filme. Precisei conversar muito para que ela não começasse a pensar que usar drogas, participar de bacanais, beber até cair e outras coisas, fossem certas, já que foi isso que o filme mostrou.
Por que não são feitos filmes de pessoas realmente importantes que tenham algo de bom para essa juventude já tão transviada? Será que ser correto não dá Ibope, não rende bilheteria?
Como ensina o comercial da Fiat, precisamos rever nossos conceitos, só assim teremos um mundo melhor.
Devo lembrar aos pais que a morte de Cazuza foi consequência da educação errônea a que foi submetido. Será que Cazuza teria morrido do mesmo jeito se tivesse tido pais que dissesem NÃO quando necessário?
Lembrem-se, dizer NÃO é a prova mais difícil de amor .
Não deixem seus filhos à revelia para que não precisem se arrepender mais tarde. A principal função dos pais é educar.. Não se preocupem em ser 'amigo' de seus filhos.
Eduque-os e mais tarde eles verão que você foi à pessoa que mais os amou e foi, é, e sempre será, o seu melhor amigo, pois amigo não diz SIM sempre.'

Karla Christine - Psicóloga Clínica

Leu ? Concorda com a psicóloga?

domingo, 1 de novembro de 2009

Saberes e Mandarim


Recebi essa crônica de uma amiga e gostei muito. Não apenas por que fala em educação, cita Paulo Freire, Piaget... mas pela simplicidade e veracidade com que trata os diferentes saberes. Atualmente se fala tanto em educação inclusiva, mas será que já aprendemos a respeitar as diferenças e a colaborar para que as mesmas sejam amenizadas? Vale a reflexão!!!

Outro dia uma pessoa querendo mostrar o quanto ela era melhor do que eu me disse que aos dezesseis anos havia ido morar na Alemanha, que conhecia Paris, Grécia, Holanda, enfim boa parte da Europa e América do Norte. Essa pessoa também me mostrou o quanto sabia de Física, de Arte e muitos outros temas, ficou escandalizada por eu não saber onde nascia o Rio São Francisco. Ouvi por um bom tempo ela discorrer sobre o quanto sua vida havia sido rica e bem aproveitada.
Então resolvi fazer algumas perguntas a essa criatura: Você conhece Bagé, Uruguaiana, Cacequi, Rosário do Sul? Sabe onde nasce o Rio Vacacaí, Rio dos Sinos e o Rio Gravataí? Sabe quem escreveu Casa Grande e Senzala? Já leu a Pedagogia do Oprimido e sabe quem é o seu autor? Já ouviu falar de um movimento que ocorreu na educação chamado Escola Nova e sabe o que preconizava? Já ouviu falar de Jean Piaget e sabe o que são esquemas mentais segundo ele? Não, essa pessoa não sabia responder nenhuma dessas perguntas, e então eu disse: Pois é você sabe muitas coisas, mas não tudo, você conhece coisas que eu desconheço e eu sei de coisas que você desconhece, isso é que é bacana na convivência com o outro, a troca, pois um acaba enriquecendo o outro com os seus saberes. Confesso que meu argumento não adiantou muito pois essa pessoa continuou afirmando que o que ela sabia era muito mais importante, que os meus saberes não valiam nada. Desisti do diálogo, pois entendi que não era o momento e que infelizmente tem coisas que não é nessa passagem pela Terra que se aprende que são necessárias algumas existências ainda para começar a aprender.


Então lembrei de uma historinha que li uma vez sobre um menino que ao ser alfabetizado ficou encantado em descobrir as palavras, ler para ele estava sendo fantástico e então ao chegar em casa foi correndo para a cozinha contar para a cozinheira que trabalhava em sua casa o quanto ele era inteligente e mostrou um livro a ela, pedindo que lesse um texto, ela afirmou que não sabia ler. O menino então a humilhou-a, chamando-a de burra, como era possível que na sua idade não soubesse ler? Nesse instante adentrava na cozinha o pai do menino que o convidou para ir até a biblioteca, chegando lá pegou um livro e pediu que o menino lesse. O garoto ficou olhando para os rabiscos e disse que não entendia nada daquilo, então o pai argumentou: esse livro está escrito em Mandarim, você não deveria ter humilhado a cozinheira pois você não sabe tudo, ela tem saberes que você não tem. Ao longo de sua vida lembre-se que você não sabe ler Mandarim.

O menino cresceu, estudou, aprendeu muitas coisas, e sempre que se sentia inflado pelos seus saberes, começando a se achar muito bom, lembrava do seu velho pai alertando-o que ele não sabia ler Mandarim.


Acredito que essa é uma lição que precisamos aprender: valorizar o conhecimento do outro, por mais simples que ele possa parecer e usar o conhecimento que detemos para promover o bem, a paz, a concórdia e sempre que estivermos começando a nos achar muito bons que lembremos que ainda não sabemos ler Mandarim.

Jane Macedo – Porto Alegre/RS

domingo, 25 de outubro de 2009

Timidez na infância


A timidez pode ser definida como a tendência para evitar interações sociais, devido ao receio de ser avaliado negativamente por parte dos outros. Em termos somáticos, as manifestações de timidez caracterizam-se, sobretudo, por rubor, tensão muscular, palpitações, tremuras e sudação intensa.

Se o seu filho rói as unhas, tem as mãos sempre bastante suadas, é retraído, é muito passivo e tem dificuldade em relacionar-se com colegas da mesma idade, então provavelmente é uma criança tímida.

Apesar de não existir muito consenso sobre a origem da timidez, muitos investigadores consideram que, embora esta tenha uma origem genética, ela pode ser exacerbada ou modificada a partir das interacções que a criança estabelece com os outros. A falta de vivências sociais é uma das causas mais relevantes para a timidez. Tudo indica que o isolamento social durante a infância perturba bastante o normal desenvolvimento da expressão emocional. Para além disto, Rosenbaum constatou, através de um estudo, a existência de uma forte correlação entre o elevado nível de ansiedade interpessoal dos pais e as condutas de timidez dos filhos.

Existe uma série de consequências negativas associadas à timidez. As crianças tímidas têm geralmente mais dificuldade em fazer e em manter amizades porque carecem de habilidades sociais, o que contribui para se tornarem mais solitárias. As dificuldades de se defenderem são outra consequência negativa, na medida em que os outros por vezes abusam delas. A timidez é também frequentemente interpretada pelas outras crianças como sinal de indiferença e desinteresse, o que contribui para que estas crianças sejam ignoradas ou excluídas. Como elas têm dificuldade em expressar as suas emoções, por vezes procuram escondê-las, com tudo o que de negativo daí advém.

O fato de a timidez implicar um elevado desgaste emocional para a criança, deve levar-nos a procurar formas de a minimizarmos. Uma das estratégias que poderão ajudar a criança a vencer a timidez é tentar criar, no contexto familiar, espaços onde ela possa falar relaxadamente, aproveitando todas as oportunidades para se reforçar positivamente o seu comportamento.

É fundamental também que no contexto escolar os educadores ou professores ajudem neste processo, estimulando a criança a participar sempre que esta seja capaz de o fazer.

Para além do que foi referido, é importante ter presente que numerosos comportamentos se podem adquirir através da aprendizagem social ( observação de modelos). Se os pais apresentarem comportamentos extrovertidos, as crianças mais facilmente poderão interiorizar este tipo de comportamento. O contrário também acontece, ou seja, pais tímidos e pouco sociáveis poderão potenciar o desenvolvimento de condutas tímidas nos filhos.

O que daqui se pode concluir é que, apesar de a genética contribuir para o aparecimento da timidez, os pais podem contrariá-la se exibirem perante os seus filhos, comportamentos marcadamente extrovertidos e se criarem oportunidades que permitam à criança ter uma grande variedade de experiências sociais.

Adriana Campos

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Dificuldades de aprendizagem


Analisar as dificuldades de aprendizagem no início da alfabetização não é uma questão fácil. Exige uma análise ampla, minuciosa e consciente do educador/professor. Os problemas escolares podem surgir de diferentes situações para cada aluno.
Muitas crianças, em determinados momentos das suas vidas sofrem muito na escola. Outras iniciam bem e depois passam a ter problemas. Essas em sua maioria sentem que não são compreendidas pelo professor ou não compreendem o que é transmitido dentro da sala, pois se dispersam com facilidade.
Em função desses problemas muitas coisas ruins podem acontecer na vida do aluno e prejudicar todo seu futuro.
Vários aspectos podem prejudicar a trajetória escolar de uma criança. Ela pode achar que a escola é um lugar perigoso, frio, assombroso, cheio de pessoas estranhas, que não tem nenhuma ligação com ela, nenhum parentesco, vínculo algum. A escola é um espaço cheio de novidades, com regras, atividades, e ela está habituada a fazer apenas o que tem vontade.
Há fatores que podem prejudicar e aumentar as dificuldades de aprendizagem, são eles: famílias desestruturadas, dificuldades econômicas, problemas cognitivos ou intelectuais, nível sociocultural baixo e problemas orgânicos (ordem física e/ou neurológica). Quanto à prática pedagógica, muitas das vezes o professor trabalha com atividades tediosas e sem graça. Esse é um dado que deve ser levado em consideração. Uma grande parte dos professores não está preparada para lidar com alunos que apresentam dificuldades de aprendizagem, e em vez de ajudá-los procurando cursos de aperfeiçoamento, buscam desculpas, como: aluno desinteressado, indisciplinado, desatento, entre outras.
Percebemos também que alguns professores comprometidos com a educação enfrentam dificuldade de algumas crianças apreenderem o que é ensinado, apesar dos esforços e recursos aplicados para promover a aprendizagem. É normal encontrarmos docentes que se angustiam diante da impossibilidade de fazer com seus alunos obtenham sucesso escolar.
Ensinar crianças com dificuldades de aprendizado não é uma tarefa fácil, requer do professor uma investigação minuciosa de como cada criança aprende. O professor deve estar a par das habilidades e fraquezas de cada criança em todos os aspectos, como: leitura, escrita, percepção, audição, visão e memória. Uma vez entendido como cada criança aprende, todos os tipos de atividades podem ser desenvolvidos de forma a ajudar a criança que possui dificuldades de aprendizado. Normalmente quando falamos de uma criança com problema de aprendizagem, referimo-nos a uma criança com inteligência mediana, sem problemas emocionais ou motores sérios e que pode ver e ouvir dentro dos parâmetros normais, porém, que ainda assim apresenta alguma dificuldade nas atividades habituais.
Pesquisas revelam que a maioria dessas crianças que apresentam dificuldades são meninos, que excedem as meninas em aproximadamente sete por um. Até o momento, não há nenhuma explicação para tal proporção. Estudos estão sendo realizados, porém, muitos acham que deve haver uma explicação ambiental e social para o problema. A maioria das dificuldades de aprendizado causa problemas com soletração ou linguagem escritas e outras com matemática.
Devemos ter em mente que a criança com dificuldade de aprendizagem é normal sob quase todos os aspectos. Nosso trabalho é enfatizar o máximo aquilo que é “normal” e ajudar a criança a descobrir seu potencial pleno.
A compreensão do processo de aprendizado e a adaptação de atividade apropriada ajudarão a alçarmos tal objetivo, não apenas com crianças com problemas de aprendizagem, mas com todas as crianças.


• Jogos e materiais educacionais variados e adequados ao nível de desenvolvimento da criança;
• Em pequenos grupos em sala, trabalhe de forma diversificada, com atividades diferenciadas;
• Elogie cada avanço da criança (estudos revelam que auto-estima é fator fundamental neste processo);
• Procure detectar quais as reais necessidades do grupo e trabalhe em cima disto;
• Vivencie com seus alunos todos os momentos em sala, é fundamental que o professor participe das atividades;
• Chame a família na escola, mostre a importância do acompanhamento escolar do filho;
• Monte sempre atividades atraentes e significativas. Lembre-se: seus alunos necessitam aprender de forma diferente.

Teresinha Borges

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Família não é DEMOCRACIA


Por que o lema “Igualdade, Liberdade e Fraternidade” não serve para guiar a educação dos filhos

Dr. Leonardo Posternak


O lema “Igualdade, Liberdade e Fraternidade” foi a mola propulsora que acabou com o despotismo dos reis da França. Vejo que, em pleno século 21, os pais pós-modernos introduziram o lema de maneira irrefletida, temerária e inconsequente dentro de seus lares; e,
pior ainda, o utilizam como norteador de suas condutas educativas para com seus rebentos.

Em primeiro lugar, a família deve ser hierárquica: seus membros não são todos iguais, são diferentes no que significa impor limites, auxiliar os filhos a se sobrepor às frustrações, saber o que pode ou não pode, funções que correspondem aos pais.r inde Assim como o filho tem de respeitar os limites, aprender a lidar com a frustração, se tornar independente e almejar chegar a ser como os pais.

A liberdade não pode ser confundida com libertinagem, com os filhos achando que se pode fazer tudo e sempre do jeito que dá na telha. Assim
os pais devem tentar não ficar reféns da temível atitude autoritária de seus próprios filhos, esquecer de que não estão passando muito tempo na companhia de suas crianças, o que é verdade. Só que sabemos que, hoje em dia, se tem menos família do que antigamente.
O dinheiro para manter o orçamento familiar também está difícil de ganhar e, assim, exercer sem culpa a tão necessária e eficaz autoridade.
Uma criança que domina os adultos está em uma posição assustadora. Se, com alguns poucos anos, a criança acha que é mais poderosa que aqueles que cuidam dela, como poderá se sentir protegida quando surge a necessidade disso?
Como adquirir segurança e autonomia, desenvolvendo seus próprios recursos, se os pais se amedrontam ante uma birra e acabam cedendo o que pouco antes tinham negado?
Dizer NÃO não significa uma rejeição ou agressão ao filho. Na verdade, pode e deve ser uma demonstração de uma crença na força e capacidade dele. A noção de que se poderia atender todas as necessidades da criança do jeito que ela desejar e poupá-la de qualquer dor só vai dar como resultado uma criança desadaptada e sem preparo para a vida num planeta habitado por outras pessoas.
Em resumo,
construímos um tirano “esperto” e infeliz, sem nenhuma ideia do que seja moral e ética, tema que, lamentavelmente, está no topo da mídia nos dias de hoje. Privilégio não é igual a direito.
Cada coisa no seu lugar.


domingo, 27 de setembro de 2009

UM NOVO OLHAR SOBRE A PATERNIDADE

RÉGIS GONZAGA, professor e pai de 6 filhos comenta episódio em que professora puniu adolescente pichador e propõe um novo olhar sobre a paternidade
O episódio em que a professora Maria Denise Bandeira fez um aluno retocar a pintura de nove salas de aula como punição por ter pichado o apelido em uma delas, revelado por ZH e zerohora.com, foi tema ontem do programa Polêmica, na Rádio Gaúcha. Embora tenha despertado críticas dos pais do adolescente de 14 anos, a professora da Escola Estadual de Ensino Médio Barão de Lucena recebeu o apoio de 97% dos 2.278 participantes de enquete do programa.




A professora Maria Denise, que nada tem do que se envergonhar, declarou ter agido com raiva no episódio da pichação da escola em que trabalha, em Viamão. Essa mesma raiva tem de tomar conta de todos nós. Chega de passar a mão por cima de tudo. Chega de morar em uma cidade imunda, suja, em que todos os prédios estão pichados, e ninguém faz absolutamente nada. Está na hora de dar um basta, mas não o basta da professora tão somente, um basta de toda a sociedade.

Espero que essa pichação signifique a retomada de um novo debate. Que tipo de sociedade nós queremos para os nossos filhos? Que tipo de sociedade nós estamos deixando para os nossos netos? O nosso papel como educadores é dizer: “olha, chegou. Vai haver repercussão, algumas pessoas são contra.” Houve quem dissesse que a atitude da professora não educa. Essas pessoas deveriam conviver com jovens, como nós fazemos diariamente, e ver como alguns adolescentes que agem corretamente se queixam. Alguém tem de dar limites, alguém tem de dizer chega.



Estes jovens estão pedindo: “olhem pra mim”


Nós vivemos em um mundo em que há um animal em extinção, e não poderia. O adulto. Há pais que agem como colegas de seus filhos. Estou cansado de ir a festas em que os pais compram vodca com energético para os filhos de 12, 13 anos. Cansado de ver pais reclamarem do professor do filho porque ele aplicou uma prova um pouquinho mais difícil. Hoje, os bons alunos, mesmo os com uma estrutura familiar razoável, têm vergonha de dizer que estudam. Quantas e quantas vezes eu presenciei o diálogo entre dois meninos:

– E aí, Fulano. Estudou para a prova?

– Não, não estudei.

– Pô, mas eu liguei para a tua casa, a tua mãe disse que tu estava estudando.

– Não, não, estava vendo o jogo. Estava enganando a velha.

Vergonha de dizer que tinha estudado, porque é feio estudar. Que valores são esses? Está na hora da sociedade toda se dar conta de que nós estamos indo para a tragédia. E há tragédia em todos os setores. Vivemos em um país em que os senadores mentem, os deputados mentem, os vereadores mentem, e nada acontece. Que mensagem nós passamos para essa gurizada? A mentira é uma boa.

Aos pais do garoto que escreveu o apelido na parede da escola, quero dizer que a punição faz parte do aprendizado, e que eles não precisam ficar chateados. Se não houver punição, sai da escola, vai para o telefone público, vai para os prédios históricos, vai para os monumentos. E a cidade, que poderia ser bonita, paga a conta em razão de pichadores. Esses jovens estão pedindo desesperadamente: “olhem para mim! Por favor, me estabeleçam limites.” É por aí que nós podemos começar. Faz parte de ser jovem cometer deslizes, cometer erros. Mas cabe aos mais velhos corrigir para que eles não se repitam.





A gurizada quer ser do bem, falta oportunidade


Para não dizer que só falei mal da gurizada, é importante ressaltar que os responsáveis por esse tipo de incidente correspondem a uma parcela muito pequena da juventude. Faltam nas comunidades mais atividades que levem o jovem para o bem. A Fundação Thiago Gonzaga tem mais de 10 mil inscritos em Porto Alegre. O que isso quer dizer? Que a gurizada quer ser do bem, está faltando oportunidade. Para o mal, em cada esquina, há seis chances.

O que as escolas podem fazer é criar atividades voltadas ao voluntariado, à ecologia, a tentar construir um mundo melhor. A grande maioria, tenho certeza, está disposta a participar.

ZERO HORA

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

O PODER DA BIRRA - A teoria e a prática


Já escrevi anteriormente sobre a criança birrenta, algo que me preocupa e nos coloca diante de tomadas de decisões que muitas vezes, pais , educadores... não estão preparados. Não custa divulgar mais um artigo interessante do Dr. Posternak sobre o assunto. Recebi a dica de uma amiga muito querida ( por email) e resolvi postar.



Acho que todos já testemunhamos a cena de pais desnorteados, envergonhados, sentindo-se julgados por quem observa e sem saber o que fazer com o filho que se joga no chão, bate os pés e chora como se tivesse sido machucado ou magoado seriamente.

Ele está, simplesmente, xingando e demonstrando sua raiva porque os pais "ousaram" lhe negar a compra de um caríssimo brinquedo (que, por sinal, ele já tem em casa).

Os observadores dividem-se entre os que afirmam que seus filhos jamais fariam algo assim e os que acham que, se porventura isso viesse a acontecer, a cena acabaria rapidamente, com um par de palmadas. Com certeza, essas pessoas não têm filhos e nunca se defrontaram com essa situação.

Outra parcela dos espectadores tomará o partido da coitadinha da criança; achará que não pode ser traumatizada. Pode se tratar de uma doce vovozinha ou de pais com enormes dificuldades de colocar limites ou provocar a necessária frustração aos filhos, já que o mundo não vai lhes fazer todas as vontades. Chamamos "compensadores" os pais que conseguem isso.

A cena descrita pode se repetir muitas vezes em outros contextos do cotidiano, sem testemunhas, porém provocando a mesma reação dos pais.

Entre mais ou menos os 15 e os 30 meses, a criança passa pela chamada fase do negativismo ou da oposição. É fundamental que assim aconteça, já que está desenvolvendo sua personalidade, diferenciando-se dos pais e contrapondo seus desejos aos deles. Testa as pessoas e também sua capacidade de persuasão.

Essas cenas, as famosas birras, são provocadas pelo conflito criado entre o desejo e a intolerância à frustração de não ver satisfeito esse desejo. Podem ser desencadeadas também pelo fato de a criança não conseguir acabar com uma tarefa (encaixar algo etc.) ou quando tem de cumprir com alguma norma familiar que atrapalha sua brincadeira. A criança tem um objetivo claro: obter a qualquer custo a satisfação do desejo.

PARECE CLARO QUE NÃO SE TRATA DE COMBATER A BIRRA COM GRITOS OU TAPAS POR SER ALGO "FEIO". O QUE ESTÁ EM JOGO É QUE O FILHO APRENDA COM A EXPERIÊNCIA QUE A BIRRA NÃO É O MELHOR CAMINHO PARA CONSEGUIR O QUE QUER. ASSIM, O MELHOR "CASTIGO", QUE POR SINAL SEMPRE É SIMBÓLICO E NÃO REAL, É QUE ELE SAIBA QUE SUA BIRRA ACABA, SEUS PAIS NUNCA PERDEM A CALMA E QUE A FRUSTRAÇÃO (QUANDO PEDAGÓGICA) "NÃO MATA".

O recado é: "Você está bravo, tem direito de demonstrar isso, porém, quando seus pais falam ‘não’ é ‘não’ até você ficar tranqüilo".

Outra inadequação é oferecer aquilo que foi negado para acabar com a chateação do filho birrento. Assim só se reforça o poder da birra.

O que podemos esperar da educação que queremos dar aos nossos filhos? O que queremos lhes transmitir? Acho que concordamos que queremos, no mínimo, transmitir-lhes as condições básicas e suficientes de sua socialização. Ou seja, transmitir-lhes uma cidadania possível.

Às vezes, para não ser incomodados ou pela culpa por nossa ausência (sendo pior quando ficamos ausentes ainda que presentes), introduzimos imprudentemente os princípios da Revolução Francesa na educação dos filhos: igualdade, liberdade e fraternidade.

A família tem de ter níveis saudavelmente assimétricos, papéis bem definidos e normas a serem cumpridas. Se não se consegue entender e agir adequadamente, nos arriscamos a transformar um suposto escravo aborrecido em um tirano aborrecido.

DR. LEONARDO POSTERNAK É PEDIATRA E PRESIDENTE DO IFA (INSTITUTO DA FAMÍLIA)

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Tabuada da multiplicação: memorizar e aprender



Muitos professores ainda se questionam sobre a importância ou não, da memorização da tabuada.

Normalmente o que se decora acaba por ser esquecido, portanto, há um entendimento generalizado em dar prioridade à compreensão da tabuada em detrimento da sua memorização. A ideia que fica é que o aluno, em qualquer altura, consegue construir a tabuada não havendo portanto, a necessidade de a decorar.

No entanto, em níveis de escolaridade mais avançada os professores queixam-se dos alunos não saberem a tabuada. Esta situação impossibilita o desenvolvimento de outras técnicas de cálculo e exploração de novos conceitos matemáticos .

A questão da memorização, a meu ver, é uma atividade de especial importância na formação escolar e, cabe à escola desenvolver no aluno, de acordo com a sua forma de pensar, a capacidade em descobrir as melhores técnicas que facilitem a sua memorização.
Constata-se que a grande dificuldade na memorização da tabuada, na maior parte dos alunos, é a partir da tabuada do seis.

Partindo-se do princípio que o aluno não tem dificuldade em saber a tabuada até ao cinco, toda a outra tabuada se torna muito fácil. Assim, qualquer aluno poderá confirmar, de forma autónoma, o produto de dois números maiores que cinco e de um só dígito.

Tomemos como exemplo o produto de 7 por 8 (7x8). Basta representar o sete numa mão e o oito na outra mão. Dado que as mãos têm apenas cinco dedos, então recorremos aos dedos dos pés para ajudar nessa representação. Assim, tendo cinco dedos nos pés mais 2 dedos levantados na mão, será uma forma de representar o sete. Seguindo a mesma técnica não há dificuldade em representar o oito - três dedos levantados na mão.


Agora, é só adicionar os dedos “levantados”, 2+3=5, e juntar à direita deste, o produto obtido pelos dedos “deitados”, 3x2=6. Obtém-se assim 56 o que corresponde ao produto pretendido: 7x8=56.

Creio que olhar mais vezes para as mãos, este algoritmo que parece ser complicado no início, poderá entrar na rotina e, para além de ajudar a memorizar a tabuada, é um exercício que também desenvolve a abstracção do aluno e consolida outros conhecimentos a favor de outras novas técnicas de cálculo mental.

Importante: Repare que a soma dos dedos “levantados” corresponde ao número de dezenas, e o produto dos dedos “deitados” corresponde ao número de unidades. Estes dois valores adicionados dão sempre o resultado pretendido. Faço este reparo para que saiba aplicar o algoritmo quando pretende determinar 6x6 ou 6x7.

mãos:
dedos "levantados" : 1+1= 2
dedos "deitados" : 4x4= 1 6

ou seja: Dezenas(2 e 1) +unidades(6) = produto ( 6x6=36)

Fonte: Prof. J.Filipe (Portugal)

TABUADA DO 9:

Há um modo interessante para se obter a tabuada do nove usando os dedos das mãos. Coloque as mãos abertas sobre a mesa.
Figura 97

Vamos obter, por exemplo, 3 x 9. Dobre o 3° dedo, a contar da esquerda para a direita.
Figura 98

Veja que, á esquerda do dedo dobrado, ficaram dois dedos e, á sua direita, 7 dedos.
Figura 99

Eis o resultado: 3 x 9 = 27!

Veja como se obtém 6 x 9:
Figura 100



domingo, 6 de setembro de 2009

Miss Imperfeita ( Martha Medeiros)



Martha consegue dizer tudo nesse artigo!!! Somos as mulheres imperfeitas, mas FELIZES.
Sempre gostei desse texto, mas como recebi por email de uma "mãe do consultório" rsss achei mais lindo ainda e resolvi postar no meu blog... Afinal todas somos mulheres em busca da TAL felicidade.
O segredo é não desistirmos!!


" Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes. Sou a Miss Imperfeita,
muito prazer. Uma imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe e mulher que também sou: trabalho todos os dias, ganho minha grana, vou ao supermercado três vezes por semana, decido o cardápio das refeições, levo os filhos no colégio e busco, almoço com eles, estudo com eles, telefono para minha mãe todas as noites, procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e-mails, faço revisões no dentista, mamografia, caminho meia hora diariamente, compro flores para casa, providencio os consertos domésticos, participo de eventos e reuniões ligados à minha profissão e ainda faço escova toda semana - e as unhas! E, entre uma coisa e outra, leio livros.

Portanto, sou ocupada, mas não uma workaholic. Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres. Primeiro: a dizer NÃO. Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO. Culpa por nada, aliás. Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero. Pois inclua na sua lista a Culpa Zero.

Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria modelo para os outros. Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho. Você não é Nossa Senhora. Você é, humildemente, uma mulher. E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante. Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável.

É ter tempo. Tempo para fazer nada. Tempo para fazer tudo. Tempo para dançar sozinha na sala. Tempo para bisbilhotar uma loja de discos. Tempo para sumir dois dias com seu amor. Três dias. Cinco dias! Tempo para uma massagem. Tempo para ver a novela. Tempo para receber aquela sua amiga que é consultora de produtos de beleza. Tempo para fazer um trabalho voluntário. Tempo para procurar um abajur novo para seu quarto. Tempo para conhecer outras pessoas. Voltar a estudar. Para engravidar. Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado. Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e profissional sem deixar de existir.

Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa postal. Existir, a que será que se destina? Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra. A mulher moderna anda muito antiga. Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada. Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem. Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si. Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo! Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente. Mulher que se sustenta fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e vir. Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela.

Desacelerar tem um custo. Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C. Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso, francamente, está precisando rever seus valores. E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado (ok, esqueça o rosto lavado) podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante."

sábado, 29 de agosto de 2009

QUANDO A CRIANÇA NÃO APRENDE A LER E A ESCREVER


Considerando que a escrita é um produto da evolução histórico-cultural da humanidade, a criança, para dominá-lo precisa compreender sua organização. Do ponto de vista do sujeito que aprende, os períodos do desenvolvimento humano determinam diferentes formas de abordar o ensino da escrita.
Quando uma criança não está aprendendo a escrever devemos considerar alguns aspectos como:
O EDUCANDO: seu período de desenvolvimento e experiência cultural;
O PROFESSOR: a qualidade da mediação realizada por ele, seu conhecimento pedagógico e formação profissional;
A ESCOLA: a organização do tempo e do espaço, a gestão e o contexto de desenvolvimento por ela oferecido;
O CONHECIMENTO: o momento histórico em que ocorre o ensino-aprendizagem;
A CULTURA E A PRÁTICA PEDAGÓGICA: a dinâmica dos processos que acontecem na sala de aula.
Portanto, o olhar sobre a criança qe não aprende deve integrar o professor e suas práticas pedagógicas, a organização escolar e o contexto em que a escola/comunidade está inserida. A aprendizagem não se dá no vazio.
Tendo em vista a complexidade da não-aprendizagem na escola, está claro hoje, que toda a criança pode aprender, mas não em qualquer situação. As condições para que uma criança aprenda vão variar de acordo com seu período de formação.
O trabalho psicopedagógico entende que todo o processo de aprendizagem está articulado com a história de cada indivíduo, e o ser humano aprende mais facilmente quando o novo pode ser relacionado com algum aspecto de sua experiência prévia, com o conhecimento anterior, com alguma questão que o indivíduo se colocou, com imagens, palavras e fatos que estão em sua memória.
Resgatar a criança como um ser cultural, um ser com emoções e com uma história, é valorizar sua experiência simbólica e portanto ajudá-la a se "apropriar" do processo de aprendizagem da leitura e escrita.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

SUGESTÃO DE COMO MONTAR SEU CONSULTÓRIO



RELAÇÃO DE MATERIAIS E EQUIPAMENTOS PARA MONTAR SEU CONSULTÓRIO PSICOPEDAGÓGICO:


Material para anamnese:

entrevista semi-estruturada; formulários; fichas de avaliação e acompanhamento.

Livros que abordam temas específicos.
auto estima, bullying, TDHA, anorexia, timidez, racismo, agressividade, mentira, medos, inclusão...

Jogos para avaliação de algumas habilidades como:
atendimento a ordens; nomeação de objetos e figuras;
interação social; persistência e atenção; sequenciação e motricidade.


Sugestão de alguns jogos:
Caixa-encaixa ;pranchas de encaixes; blocos lógicos ; alfabeto ( de diversas formas e materiais) Jogo de loto leitura; jogos de mico de palavras; jogo de baralho para classificação; jogo de carimbos (diversos); bloco de construção; conjunto de esquema corporal (quebra-cabeça); 01 fazendinha; 01 caixa quadrado vazado; jogo de linha (matemática); jogo de numerais e quantidades de 0 a 9; jogos de memória (diversos); 02 jogos de dominó e/ou memória de associação de idéias; 01 jogo de dominó e/ ou memória sobre associação geométrica; jogos de dominó e/ou memória de frases e palavras ; 01 jogo de dominó e/ou memória de quantidades; Jogos de dominó e/ou memória ( metade; subtração multiplicação; divisão silábica; horas; divisão; divisão de figuras e fundos, tipos de letras...) 03 jogo de fantoches (família branca; família preta ; animais); Ábaco ; 01 Cara a Cara ; Jogos de seqüência lógica; Blocos lógicos; Quebra cabeça (diversos); jogos BOOLE
Rádio com CD;
CDs de música (diversos);
Jogos para computador;
Livros de histórias (diversos);
Brinquedos diversos (bola, boneca,carrinhos, avião, trem, ambulância, bombeiro, monstros , dinossauros, cobras, telefones, tubarão , João Teimoso, corda para pular...)
Tintas e pincéis;
Quadro e giz;
Papel, crayons, canetas hidrográficas , argila...
Espelho para corpo inteiro.
Muitos jogos poderão e devem ser construídos para atender dificuldades específicas de cada criança
*se esqueci alguma coisa..acrescentarei em outro momento rsrrsss

sábado, 8 de agosto de 2009

USO DE JOGOS DE REGRAS NO ATENDIMENTO PSICOPEDAGÓGICO



Em decorrência do baixo desempenho dos alunos nas escolas, uma quantidade cada vez maior de crianças tem chegado aos consultórios de psicopedagogia apresentando dificuldades de aprendizagem em matemática. Tanto na atuação clínica psicopedagógica quanto na atuação escolar faz-se necessário um atendimento especializado nesta área de conhecimento. O desempenho que os alunos vêm demonstrando, sem dúvida, justifica o desenvolvimento de uma metodologia de trabalho capaz de promover uma aprendizagem significativa dos conceitos e procedimentos matemáticos, em particular, nas primeiras séries do ensino fundamental.

Os Jogos sob um Enfoque Psicopedagógico

A brincadeira e o jogo constituem-se uma necessidade humana e interferem diretamente no desenvolvimento da imaginação, da representação simbólica, da cognição, dos sentimentos, do prazer, das relações, da convivência, da criatividade, do movimento e da auto-imagem dos indivíduos. Muitos educadores desvalorizam a brincadeira acreditando que o mais importante na escola é aprender a ler e escrever. Não levam em conta que todo o desenvolvimento que a brincadeira traz para os indivíduos é pré-requisito para a alfabetização. Vygotsky afirma que a brincadeira simbólica e o jogo formam uma zona de desenvolvimento proximal que pode se constituir o ponto de partida para aprendizagens formais.
Segundo Piaget , por meio do jogo a criança assimila o mundo para atender seus desejos e fantasias. O jogo segue uma evolução que se inicia com os exercícios funcionais, continua no desenvolvimento dos jogos simbólicos, evolui no sentido dos jogos de construção para se aproximar, gradativamente, dos jogos de regras, que dão origem à lógica operatória. Nos jogos de regras existe algo mais que a simples diversão e interação, pois, eles revelam uma lógica diferente da racional. Este tipo de jogo revela uma lógica própria da subjetividade tão necessária para a estruturação da personalidade humana quanto a lógica formal, advinda das estruturas cognitivas. Os jogos de regras podem ser considerados o coroamento das transformações a que criança chega quando atinge a reversibilidade do pensamento.
No jogo de regras o conseguir jogar e compreender o seu fazer implica em assimilação recíproca de esquemas e coordenação de diferentes pontos de vista. A coordenação de pontos de vista permite o descentramento do sujeito e a possibilidade de reciprocidade interpessoal com seus parceiros de atividade. Devido ao seu caráter eminentemente social, o jogo de regras favorece cooperação ao submeter as ações dos sujeitos às normas de reciprocidade.
Ao tentar resolver os problemas originados no desenvolvimento do jogo, o sujeito cria estratégias e as avalia em função dos resultados obtidos e das metas a alcançar na atividade. Os fracassos decorrentes destas ações originam conflitos ou contradições por parte do indivíduo e desencadeiam mecanismos de equilibração cognitiva . As regulações ativas geradas por este processo implicam decisões deliberadas dos indivíduos que originam novos procedimentos de jogo. Apresentam um caráter construtivo e por meio delas a retomada de uma ação é sempre modificada pelos resultados da ação anterior em um processo contínuo de modificação das ações seguintes, em função dos resultados das ações precedentes . Conhecer os meios empregados para alcançar o objetivo do jogo, bem como conhecer as razões desta escolha ou de sua modificação, implica uma reconstrução no plano da representação do que era dominado pelo sujeito como ação.
Em uma intervenção de caráter psicopedagógico, o educador deve equilibrar uma atuação mais e menos diretiva, conforme o tipo de tarefa a ser realizada pelos sujeitos . Nas tarefas verbais sua atuação pode ser mais diretiva, pois, tem como objetivo organizar a situação de aprendizagem e solicitar a re-interpretação das ações e das falas dos sujeitos.
Do ponto de vista psicopedagógico, o processo de aprendizagem envolve não somente a fala do sujeito que aprende, mas também a fala de quem ensina. Ao “pensar em voz alta” suas estratégias de ação, o educador atua como modelo de reflexão para o sujeito. Utilizados tradicionalmente como recursos clínicos a fala organizada e o uso do modelo têm obtido na escola resultados satisfatórios no ensino de diferentes áreas de conhecimento.
A utilização do jogo de regras como um recurso terapêutico ou escolar, seja por parte do psicopedagogo ou do educador, exige conhecimento de sua estrutura e clareza dos objetivos a serem atingidos.Ao se propor um jogo é preciso ter em mente o porquê de jogar, o que jogar, para quem, com que recursos, de que modo jogar, quando e durante quanto tempo jogar, e qual a continuidade desta atividade ao final de seu desenvolvimento.

Versão integral deste artigo foi publicado na Revista Teoria e Prática da Educação-2002

terça-feira, 4 de agosto de 2009

TRABALHO APROVA REGULAMENTAÇÃO PARA PSICOPEDAGOGO




A UNIÃO FAZ A FORÇA
votem e repassem para todos votarem


Aconteceu - 30/12/2008 16h10
Trabalho aprova regulamentação para psicopedagogo
Laycer Tomaz

A Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público aprovou, no último dia 17, o Projeto de Lei 3512/08, da deputada Professora Raquel Teixeira (PSDB-GO), que regulamenta a atividade profissional do psicopedagogo. Pela proposta, a profissão poderá ser exercida pelo portador de diploma de graduação em Psicopedagogia, pelo diplomado em Psicologia ou Pedagogia e pelo licenciado que tiver concluído curso de especialização em Psicopedagogia. A especialização deverá ter duração mínima de 600 horas e carga horária de 80% na especialidade.

A comissão também aprovou duas emendas apresentadas pela relatora, deputada Gorete Pereira (PR-CE). Uma das emendas autoriza o Executivo a criar um órgão fiscalizador do exercício da profissão. "Deve ser lembrado que os dispositivos relacionados a infrações e penas somente são eficazes se houver esse órgão responsável", disse a relatora.

A outra emenda estabelece o dever de sigilo profissional, ou seja, o psicopedagogo deverá manter sigilo sobre os fatos de que tenha conhecimento em virtude do exercício de sua atividade. Ele poderá compartilhar essas informações com outros profissionais envolvidos no atendimento do cliente, desde que também sujeitos a sigilo profissional. O desrespeito a essas normas configura infração disciplinar grave.

A relatora informou que a inclusão do sigilo profissional foi uma sugestão de representantes da própria categoria.

Atribuições
Entre as atribuições do psicopedagogo estão a intervenção para a solução dos problemas de aprendizagem; a utilização de métodos, técnicas e instrumentos que tenham por finalidade a pesquisa, a prevenção, a avaliação e a intervenção relacionadas com a aprendizagem; e o apoio psicopedagógico aos trabalhos realizados nos espaços institucionais.

Pelo projeto, o portador de diploma superior de outra especialidade que já estiver exercendo ou tiver exercido atividades profissionais de Psicopedagogia, em entidade pública ou privada, terá preservado o direito a esse exercício profissional.

Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo e seguirá para a análise da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

íntegra da proposta: - PL-3512/2008

Notícias anteriores no site da Câmara.gov.br :
- Trabalho aprova regulamentação da profissão de pedagogo
- Projeto obriga escola a ter orientador educacional
- Câmara eleva função pedagógica a profissional de educação
- Proposta muda regras de formação para professor

Reportagem - Luiz Claudio Pinheiro
Edição - Pierre Triboli

Fonte: Agência Câmara
Tel. (61) 3216.1851/3216.1852
Fax. (61) 3216.1856
E-mail:agencia@camara.gov.br
Este Projeto está na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal aguardando parecer do Relator. Escreva para Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) ou para o Relator, Dep. Maurício Quintella Lessa (PR-AL) e dê a sua opinião reforçando o voto favorável.

Contatos com o Deputado Relator:

dep.mauricioquintellalessa@camara.gov.br
http://www.mauricioquintella.com.br

Endereço para correspondência:

Gabinete 425 - Anexo IV
Câmara dos Deputados
Praça dos Três Poderes
Brasília - DF
CEP: 70160-900

Telefones do Gabinete do Deputado:(61) 3215-5425 - Fax:(61) 3215-2425

segunda-feira, 27 de julho de 2009

A TÉCNICA PSICANALÍTICA ATRAVÉS DO BRINCAR



1. O atendimento de crianças

· A partir do período de latência(de 6 anos em diante);

· As interpretações deveriam ser cuidadosas;

· As camadas mais profundas do inconsciente não poderiam ser exploradas;

· A situação edipiana inconsciente não poderia ser analisada;

· O superego era considerado fraco;

· Devido a suposta fraqueza do superego, os analistas assumiam uma postura educativa;

· Postulava-se que a “situação analítica”(interpretação, solução gradual das resistências, foco na transferência) não poderia ser obtida com a criança;

· Usava-se a transferência positiva e evitava-se a transferência negativa.


2. A proposta kleiniana

A- O significado do brincar

· O brincar é uma expressão de processos inconscientes profundos;

· O brincar equivale ao conteúdo manifesto do sonho, que após ser interpretado, revela o significado latente.

B- A ludoterapia

· A interpretação da ansiedade e das defesas contra ela;

· O princípio da associação livre(atenção dirigida ao brincar, à fala e ao comportamento surgido espontaneamente);

· A exploração do inconsciente;

· A análise da transferência(principalmente a negativa);

· A situação transferencial deve ser conduzida no consultório e não na casa do paciente;

· O uso do brinquedo numa caixa exclusiva para cada criança;

· A composição da caixa: pequenos homens e mulheres de madeira, carros e carrinhos de mão, balanços, trens, aviões, animais, árvores, blocos, casas, cercas, papel, tesoura, uma faca, lápis, giz ou tinta, cola, bolas e bolas de gude, massa de modelar e barbante.

· O equipamento do consultório: um chão lavável, água corrente, uma mesa, algumas cadeiras, um pequeno sofá, algumas almofadas e um móvel com gavetas.

C- A agressividade no brincar

· É essencial permitir à criança a expressão da agressividade;

· Mais importante ainda é compreender a causa e o contexto em que a agressividade surge;

· A atitude da criança para com o brinquedo é sempre reveladora(a destruição e a reparação);

· O analista não deve permitir ataques físicos a sua pessoa, para resguardá-lo e evitar o aumento da culpa e da ansiedade persecutória;

· O analista não deve mostrar desaprovação quando a criança quebra um brinquedo;

· O analista não deve encorajar a expressão da agressividade ou sugerir reparações;

· A interpretação deve estar ligada ao material produzido no momento, ao comportamento observado e em conexão com o que foi colhido dos pais;

· Mesmo as crianças pequenas compreendem as interpretações quando estas dizem respeito a pontos relevantes do material;

· A criança tem uma capacidade de insight maior que o adulto, pois as conexões entre consciente e inconsciente são mais próximas e as repressões menos poderosas.




Fonte: UNIP

quarta-feira, 15 de julho de 2009

EDUCAÇÃO SEM LIMITES

A coisa mais difícil que existe nesta vida é educar um ser humano(...) Alguns fatores apontam as causas da falta de limites na educação das crianças de um modo geral, destacando os valores morais que sumiram do nosso cenário, haja vista o enorme número de casos de corrupção ininterrupta; na política, empresas, igrejas, etc, apresentados na mídia, onde, dificilmente a lei consegue ser cumprida, ademais, instaurou-se na cultura a idéia de que ser esperto é a grande jogada, o contrário; uma tremenda burrice, então, por qual razão seguir regras?

Outro ponto importante vem a ser a ausência dos pais na vida da criança, em virtude da carga horária dedicada ao trabalho, deixando a convivência educacional aos cuidados da escola, desde os primeiros momentos, nas creches e nas instituições educacionais, do governo ou particulares. Esta necessidade familiar gerou um sentimento de culpa nos pais, que, para compensar tais circunstâncias, acabam sendo permissivos em demasia com os seus filhos, impedindo, por conseguinte, momentos de se educar e proporcionar os valores que devem ser seguidos; derivados dos próprios valores existentes nos pais e na constituição da personalidade da criança. Contudo, abre-se nova polêmica neste rastro de educação sem limites, ao lembrarmos que muitos pais com filhos hoje adolescentes e outros adultos vêm de uma geração na qual pregou por muitos anos a idéia de que a liberdade total era a melhor saída, contrapondo à idéia de repressão sócio-histórica vivida por eles em sua juventude, o que acarretou em juízo de valores distorcido, vindo de um radicalismo social para outro, sem fazer “escola” desta forma de se educar. Não houve ponderação e conseqüentemente faltou um plano mediano que fosse sendo ajustado à medida que as demandas surgissem. Simplesmente foi-se estabelecendo este modelo de educação até o momento em que se evidenciaram os desastrosos resultados.

Outra condição a ser pensada é o exagero que os pais têm com relação aos traumas que poderão causar, caso venham a ser mais enérgicos na educação dos seus filhos. Usar o bom senso e algumas regras para estabelecer limites na educação infantil não arranca pedaço de ninguém. Faz-se necessária a consciência de que para educar é preciso esforço, dedicação, perseverança e paciência; muita paciência.

Nas escolas a relação entre o aluno e o professor chegou a uma condição muito favorável, quando entendemos que a participação do aluno está maior, diferentemente de outras épocas onde o papel se restringia apenas a ouvir e guardar as informações que chegavam.

A criança de hoje está mais bem estimulada e responde com maior agilidade ao meio, o que lhe confere a boa posição de ser participante nos grupos sociais; casa e escola especialmente. Todavia, dada a falta de condução por conta da educação sem limites, a criança acaba se tornando um canhão sem direção, que atira para vários lados ao acaso a acerta em quem estiver na trajetória, e a si mesma invariavelmente.

Tal situação é comum e é clara quanto às dificuldades existentes para todas as partes: do aluno que precisa e não tem a educação fundamental de ser acompanhado em casa por seus responsáveis; dos pais, que não têm tempo e sentem a dificuldade se ampliar conforme o tempo passa, desestimulando cada vez mais, ter que mexer com esta situação, e, para a escola, que acaba arcando com tal responsabilidade, sem ter estrutura para isso. A situação destas várias crianças e de suas famílias é caótica, não existindo meio termo para classificar o que se passa nesta inversão de valores, onde inexiste a educação pautada em acompanhamento e com limites. Muitos pais crêem que o tempo dará jeito na questão, deixando à sorte o futuro de seus filhos.

O exercício do viver só é realizável vivendo, na prática, e o mesmo ocorre com a educação, portando, é preciso arregaçar as mangas e assumir o papel de orientador, de guia, de educador. Começar, antes tarde do que nunca a se envolver neste processo importante e determinador da vida do ser humano, cavando tempo e espaço para esta empreitada. Sempre que desejamos muito alguma coisa damos um jeito no tempo e espaço para alcançá-la. O que nos impede de lutar por esta causa mais do que nobre? Qual medo existe em tentar educar os próprios filhos?

Como em qualquer situação da vida, haverá tropeços, que darão lugar ao adequado proceder conforme a prática e a persistência desta convivência. Os rumos poderão ser diferentes, e certamente o serão. Outros benefícios virão naturalmente, como um maior sentimento de amor próprio, e em muitos casos, a unidade familiar. Mas é preciso começar, tentar, fazendo acontecer. Confie em si mesmo e mude o cenário, assumindo as responsabilidades e transmitindo muitos valores aos seus filhos, por via de uma educação que dá segurança e conforto, pois todos nós sempre desejamos isto.


(Fonte: Armando S. Neto)