quarta-feira, 22 de junho de 2011

Filhos: a difícil arte de pôr limites




A coisa mais difícil que existe nesta vida é educar um ser humano, pois que demanda a nossa atenção por um tempo, que deixamos de perceber porque até o último momento podemos receber educação.

Alguns fatores apontam as causas da falta de limites na educação das crianças de um modo geral, destacando os valores morais que sumiram do nosso cenário, haja vista o enorme número de casos de corrupção ininterrupta; na política, empresas, igrejas, etc, apresentados na mídia, onde, dificilmente a lei consegue ser cumprida, ademais, instaurou-se na cultura a idéia de que ser esperto é a grande jogada, o contrário; uma tremenda burrice, então, por qual razão seguir regras?

Outro ponto importante vem a ser a ausência dos pais na vida da criança, em virtude da carga horária dedicada ao trabalho, deixando a convivência educacional aos cuidados da escola, desde os primeiros momentos, nas creches e nas instituições educacionais, do governo ou particulares. Esta necessidade familiar gerou um sentimento de culpa nos pais, que, para compensar tais circunstâncias, acabam sendo permissivos em demasia com os seus filhos, impedindo, por conseguinte, momentos de se educar e proporcionar os valores que devem ser seguidos; derivados dos próprios valores existentes nos pais e na constituição da personalidade da criança. Contudo, abre-se nova polêmica neste rastro de educação sem limites, ao lembrarmos que muitos pais com filhos hoje adolescentes e outros adultos vêm de uma geração na qual pregou por muitos anos a idéia de que a liberdade total era a melhor saída, contrapondo à idéia de repressão sócio-histórica vivida por eles em sua juventude, o que acarretou em juízo de valores distorcido, vindo de um radicalismo social para outro, sem fazer "escola" desta forma de se educar. Não houve ponderação e conseqüentemente faltou um plano mediano que fosse sendo ajustado à medida que as demandas surgissem. Simplesmente foi-se estabelecendo este modelo de educação até o momento em que se evidenciaram os desastrosos resultados.

Outra condição a ser pensada é o exagero que os pais têm com relação aos traumas que poderão causar, caso venham a ser mais enérgicos na educação dos seus filhos. Usar o bom senso e algumas regras para estabelecer limites na educação infantil não arranca pedaço de ninguém. Faz-se necessária a consciência de que para educar é preciso esforço, dedicação, perseverança e paciência; muita paciência.

Nas escolas a relação entre o aluno e o professor chegou a uma condição muito favorável, quando entendemos que a participação do aluno está maior, diferentemente de outras épocas onde o papel se restringia apenas a ouvir e guardar as informações que chegavam.

A criança de hoje está mais bem estimulada e responde com maior agilidade ao meio, o que lhe confere a boa posição de ser participante nos grupos sociais; casa e escola especialmente. Todavia, dada a falta de condução por conta da educação sem limites, a criança acaba se tornando um canhão sem direção, que atira para vários lados ao acaso a acerta em quem estiver na trajetória, e a si mesma invariavelmente.

Para ilustrar este contexto da educação sem limites, relatarei uma cena que vi na sala de diretoria de uma escola do governo. De um lado encontrava-se a vice-diretora desta instituição, a qual descrevia o descaso de um aluno com relação aos estudos, seu comportamento rebelde e desrespeitador mediante as regras daquela escola, exaltando o fato de que este menino, de aproximadamente onze anos, já havia "bombado" em ano anterior e que em seu boletim constavam muitas faltas. De outro lado, a mãe, estupefata com aquelas faltas, tentando compreender aquele furacão que se lhe apresentava. Ao lado da mãe que estava sentada, encontrava-se sua filha menor, à frente do referido estudante, e ao lado dele outra irmã, presumivelmente mais velha. O quadro estava formado; o garoto permaneceu imóvel entre as pessoas de sua família e apenas comentou em tom humilde que a direção da escola lhe perseguia há muito tempo e que ele era bonzinho. Apesar da postura de cobrança por parte da diretoria da escola, é quase impossível obter do aluno um comportamento adequado, uma vez que lhe falta o direcionamento educacional, sutilmente revelado pela mãe quando alegou não ter tempo de poder criar o próprio filho, permanecendo ausente em virtude do trabalho.

Tal situação é comum e é clara quanto às dificuldades existentes para todas as partes: do aluno que precisa e não tem a educação fundamental de ser acompanhado em casa por seus responsáveis; dos pais, que não têm tempo e sentem a dificuldade se ampliar conforme o tempo passa, desestimulando cada vez mais, ter que mexer com esta situação, e, para a escola, que acaba arcando com tal responsabilidade, sem ter estrutura para isso. A situação destas várias crianças e de suas famílias é caótica, não existindo meio termo para classificar o que se passa nesta inversão de valores, onde inexiste a educação pautada em acompanhamento e com limites. Muitos pais crêem que o tempo dará jeito na questão, deixando à sorte o futuro de seus filhos.

O exercício do viver só é realizável vivendo, na prática, e o mesmo ocorre com a educação, portando, é preciso arregaçar as mangas e assumir o papel de orientador, de guia, de educador. Começar, antes tarde do que nunca a se envolver neste processo importante e determinador da vida do ser humano, cavando tempo e espaço para esta empreitada. Sempre que desejamos muito alguma coisa damos um jeito no tempo e espaço para alcançá-la. O que nos impede de lutar por esta causa mais do que nobre? Qual medo existe em tentar educar os próprios filhos?

Como em qualquer situação da vida, haverá tropeços, que darão lugar ao adequado proceder conforme a prática e a persistência desta convivência. Os rumos poderão ser diferentes, e certamente o serão. Outros benefícios virão naturalmente, como um maior sentimento de amor próprio, e em muitos casos, a unidade familiar. Mas é preciso começar, tentar, fazendo acontecer. Confie em si mesmo e mude o cenário, assumindo as responsabilidades e transmitindo muitos valores aos seus filhos, por via de uma educação que dá segurança e conforto, pois todos nós sempre desejamos isto.


* Armando Correa de Siqueira Neto (psicólogo)

sábado, 11 de junho de 2011

TABUADA COM OS DEDOS

TABUADA DA MULTIPLICAÇÃO: memorizar e aprender



Muitos professores ainda se questionam sobre a importância ou não, da memorização da tabuada.

Normalmente o que se decora acaba por ser esquecido, portanto, há um entendimento generalizado em dar prioridade à compreensão da tabuada em detrimento da sua memorização. A ideia que fica é que o aluno, em qualquer altura, consegue construir a tabuada não havendo portanto, a necessidade de a decorar.

No entanto, em níveis de escolaridade mais avançada os professores queixam-se dos alunos não saberem a tabuada. Esta situação impossibilita o desenvolvimento de outras técnicas de cálculo e exploração de novos conceitos matemáticos .

A questão da memorização, a meu ver, é uma atividade de especial importância na formação escolar e, cabe à escola desenvolver no aluno, de acordo com a sua forma de pensar, a capacidade em descobrir as melhores técnicas que facilitem a sua memorização.
Constata-se que a grande dificuldade na memorização da tabuada, na maior parte dos alunos, é a partir da tabuada do seis.

Partindo-se do princípio que o aluno não tem dificuldade em saber a tabuada até ao cinco, toda a outra tabuada se torna muito fácil. Assim, qualquer aluno poderá confirmar, de forma autónoma, o produto de dois números maiores que cinco e de um só dígito.

SUGESTÃO PARA A TABUADA DO 6,7,8 E 9

Tomemos como exemplo o produto de 7 por 8 (7x8). Basta representar o sete numa mão e o oito na outra mão. Dado que as mãos têm apenas cinco dedos, então recorremos aos dedos dos pés para ajudar nessa representação. Assim, tendo cinco dedos nos pés mais 2 dedos levantados na mão, será uma forma de representar o sete. Seguindo a mesma técnica não há dificuldade em representar o oito - três dedos levantados na mão.


Agora, é só adicionar os dedos “levantados”, 2+3=5, e juntar à direita deste, o produto obtido pelos dedos “deitados”, 3x2=6. Obtém-se assim 56 o que corresponde ao produto pretendido: 7x8=56.

Creio que olhar mais vezes para as mãos, este algoritmo que parece ser complicado no início, poderá entrar na rotina e, para além de ajudar a memorizar a tabuada, é um exercício que também desenvolve a abstracção do aluno e consolida outros conhecimentos a favor de outras novas técnicas de cálculo mental.

Importante: Repare que a soma dos dedos “levantados” corresponde ao número de dezenas, e o produto dos dedos “deitados” corresponde ao número de unidades. Estes dois valores adicionados dão sempre o resultado pretendido. Faço este reparo para que saiba aplicar o algoritmo quando pretende determinar 6x6 ou 6x7.

mãos:
dedos "levantados" : 1+1= 2
dedos "deitados" : 4x4= 1 6

ou seja: Dezenas(2 e 1) +unidades(6) = produto ( 6x6=36)

Fonte: Prof. J.Filipe (Portugal)

SUGESTÃO QUE FUNCIONA APENAS PARA A TABUADA DO 9:

Há um modo interessante para se obter a tabuada do nove usando os dedos das mãos. Coloque as mãos abertas sobre a mesa.
Figura 97

Vamos obter, por exemplo, 3 x 9. Dobre o 3° dedo, a contar da esquerda para a direita.
Figura 98

Veja que, á esquerda do dedo dobrado, ficaram dois dedos e, á sua direita, 7 dedos.
Figura 99

Eis o resultado: 3 x 9 = 27!

Veja como se obtém 6 x 9:
Figura 100

terça-feira, 7 de junho de 2011

DIFERENÇA...NÃO É DEFICIÊNCIA!!


"UMA ROSA COM OUTRO NOME"
Imagine por um instante que você está visitando um viveiro de plantas. Você percebe uma agitação lá fora e vai investigar. Você encontra um jovem assistente lutando contra uma roseira. Ele está tentado forçar as pétalas da rosa a se abrirem, e resmunga insatisfeito. Você lhe pergunta o quê está fazendo e ele explica: "meu chefe quer que todas essas rosas floresçam essa semana, então na semana passada eu cortei todas as precoces e hoje estou abrindo as atrasadas". Você protesta dizendo que cada rosa floresce a seu tempo, é absurdo tentar retardar ou apressar isso. Não importa quando a rosa vai desabrochar - uma rosa sempre desabrocha no momento mais oportuno para ela. Você olha novamente a rosa e percebe que ela está murchando, mas quando você o alerta, ele responde: "Ah, isso é mau, ela tem disdesabrochamento congênito. Vamos ter que chamar um especialista". Você diz: "Não, não! Foi você quem fez a rosa murchar! Você só precisaria satisfazer as exigências de água e luz da planta e deixar o resto por conta da natureza!" Você mal consegue acreditar no que está acontecendo. Por quê o chefe dele é tão mal informado e tem expectativas tão irreais em relação às rosas? Essa cena nunca teria se passado em um viveiro, é claro, mas acontece todo o dia em nossas escolas. Professores pressionados por um sistema seguem calendários oficiais que exigem que todas as crianças aprendam no mesmo ritmo e do mesmo jeito. No entanto, as crianças não diferem das rosas em seu desenvolvimento: elas nascem com a capacidade e o desejo de aprender, e aprendem em ritmos diferentes e de modos diferentes. Se formos capazes de satisfazer suas necessidades, proporcionar um ambiente seguro e propício e evitar nos intrometer com dúvidas, ansiedades e calendários arbitrários, aí então - como as rosas - as crianças irão desabrochar cada uma há seu tempo.

Por Jan Hunt, Psicóloga Diretora do "The Natural Child Project”.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

OLHAR DIFERENTE: A lição do cachorro mais feio do mundo




Professora de Pelotas cria projeto para ensinar sobre respeito aos alunos

O que um cão com os olhos tortos, língua para fora e que ostenta o título de mais feio do mundo poderia ensinar às crianças? Uma educadora de Pelotas, no sul do Estado, descobriu que uma simples foto do aninal americano Elwood poderia ensinar uma lição sobre diferenças aos seus alunos.

Andréia Ribeiro Meireles explicou aos estudantes do 2º ano do Ensino Fundamental da Escola Gonzaga que, embora sendo diferente, o animal merece ser bem tratado e respeitado. A ideia da pelotense foi mostrar aos alunos que é preciso aprender a conviver com as diferenças. O projeto nasceu porque o corpo docente da escola sentiu que era preciso falar sobre o assunto com o ingresso cada vez maior de alunos com necessidades especiais.

– No começo, eles o acharam feio, mas depois foram mudando a forma de vê-lo e hoje não há um deles que não ache o Elwood bonito – conta.

Em sala de aula, a educadora narrou a história do animal, cruza de Chihuahua com o Cão de Crista Chinês, que foi abandonado diversas vezes por sua aparência e seu final feliz ao encontrar uma dona que o amava como ele era. Elwood se tornou o cão mais feio do mundo ao vencer um concurso realizado nos Estados Unidos em 2007.

– A Kate (dona do Elwood, que mora Nova Jersey, nos Estados Unidos) adorou o projeto, vestiu nossa camiseta, tenho trocado diversas mensagens com ela. Em breve, faremos um chat ao vivo para ela conversar com os alunos – anuncia Andréia.

– Recebemos esta semana o livro que ela escreveu sobre o Elwood, com dedicatória dela e autógrafo dele – conta a professora aos risos.

Estudantes vivenciaram cotidiano de cegos

Entre as atividades propostas pela professora, os alunos tiveram que se colocar no lugar das crianças que não têm braços e produzir desenhos com os pés. Em outro momento, vendados, ele usaram as mãos para “enxergar” os colegas, assim como fazem os cegos.

– Eles conseguiram entender como é ser diferente – diz.

Aproveitando a discussão sobre diferenças, Andréia também abordou o bullying em sala de aula. O sonho da pelotense agora é ir visitar a nova amiga em Nova Jersey e conhecer pessoalmente o cão que ajudou a transformar o pensamento dos seus alunos. O projeto, que é sucesso na escola deverá ser ampliado para as outras turmas.

SANCLER EBER - Jornal Zero Hora

domingo, 22 de maio de 2011

Resumo da Educação no Brasil (Profª Amanda Gurgel)

DISLALIA...DISLEXIA...DISCALCULIA...TDAH...


A principal característica do TDAH ,é um padrão de desatenção e/ ou hiperatividade.

A desatenção ,ou falta de concentração, podem manifestar-se em várias situações, sejam elas escolares, profissionais ou sociais.

A hiperatividade e a impulsividade, causam tantos prejuízos quanto a desatenção.

Esses indivíduos, em sua maioria, têm índices de QI acima da média, levando a família a não entender, como é possível ser tão inteligente em certos aspectos e tão desinteressados nos estudos.

Todos os sintomas, certamente estarão presentes antes dos 7 anos de idade ,mas infelizmente quase nunca são diagnosticados precocemente.

É mais comum que isso aconteça ,durante as primeiras séries escolares ,ou quando encaminhados ao médico especialista por algum outro profissional da saúde (fonoaudiólogo, psicólogo ,etc).

Relaciono a seguir, alguns transtornos que poderão acometer o TDAH:

DISLALIA—É a troca ,omissão ou simplesmente distorção de fonemas na linguagem falada.

Vale ressaltar que a criança hoje, deve ter a linguagem correta até os 4 anos de idade.(Devido a cobranças sociais e escolares antecipadas na Atualidade).

A dislalia do TDAH ,é exclusivamente funcional ou seja, aquela em que se descarta qualquer alteração ou má formação orgânica.

Para se adquirir padrões corretos de fala ,a criança ,ouve, repara, e se corrige automaticamente, a medida que desenvolve a linguagem. (A compreensão é anterior )

O indivíduo portador de TDAH , com hiperatividade ou não, tem deficiência na atenção ,e , sem a mesma, em alguns casos , a aquisição da fala fica prejudicada.

O dislálico é fluente ,ele fala com desenvoltura ,mesmo que seja incompreensível. A principal queixa da família é que ele parece falar em outra língua.

Na verdade ,ele acredita que fala como ouve.

Daí a necessidade de só falar de forma correta , para que se processe o feedback auditivo.

DISLEXIA - É um distúrbio específico da linguagem, caracterizado pela dificuldade ou incapacidade de decodificar (compreender) palavras escritas.

A dislexia é uma alteração da leitura ,que certamente estará presente no indivíduo dislálico não tratado até a alfabetização.

Existem maiores e menores graus de comprometimento, em se tratando de dislexia.

Na cabeça do disléxico ,os símbolos gráficos que compõem a leitura ,não fazem nenhum ou pouco sentido.

Acredita-se que isso possa estar também relacionado ao desenvolvimento psicomotor, (Que deveria estar pronto,antes do aprendizado da leitura e da escrita).

Na dislexia ,encontra-se comprometida a consciência do eixo corporal e a lateralidade. Esse indivíduo vai confundir-se eternamente com direita e esquerda por exemplo.

A causa primária da dislexia é a relação espacial alterada, fazendo com que a criança não consiga decifrar satisfatoriamente os códigos da escrita (ler).

Nem todo distúrbio de aprendizagem é dislexia.

Para se ter um diagnóstico de dislexia faz-se necessário uma avaliação cuidadosa ,geralmente por feita por uma equipe multi-disciplinar.

Essa equipe terá a função básica de eliminar ou apontar outras causas responsáveis pela não aquisição da leitura.

O TDAH , pode apresentar dislexia em sua forma total ou simples distúrbio no aprendizado da leitura.

A escrita e a leitura ,estão intimamente ligadas, porém uma , pode estar comprometida e a outra não.

DISGRAFIA- . É uma deficiência na linguagem escrita , mais precisamente na qualidade do traçado gráfico , sem comprometimento neurológico e/ou intelectual.

Nas disgrafias, também encontramos níveis de inteligência acima da média ,mas por vários motivos ,apresentam escrita ilegível ou lenta.

A ‘letra feia’ (disgrafia) está ligada à dificuldades para recordar a grafia correta para representar um determinado som ouvido , ou elaborado mentalmente.

A criança ,escreve devagar ,retocando as letras , e realizando de forma inadequada as uniões entre as mesmas.

Normalmente as amontoa ,com o objetivo de esconder os erros ortográficos.

Assim como a dislexia ,a disgrafia também está relacionada à má organização de espaço temporal, fazendo com que uma organização de caderno, por exemplo, seja ‘inexistente’.(usa espaços inadequados entre as palavras, margens inexistentes, letras deformadas, escrita ascendente ou descendente ,etc).


DISORTOGRAFIA- Tanto a disgrafia ,quanto a disortografia, são alterações da linguagem escrita.

Essas duas alterações, podem estar presentes num mesmo indivíduo, mas não é via de regra.

Na disortografia, a criança escreve nos espaços certos , a caligrafia é clara ,porém cheia de erros ortográficos.

Antes de se fazer um diagnóstico de disortografia, deve-se avaliar com cuidado o grau de escolaridade . No processo educacional, dependendo da série ,vários erros ortográficos serão permitidos.

A disortografia é a incapacidade de aprender a usar os processos gráficos para representar na escrita a linguagem oral.

DISCALCULIA- A discalculia, é a dificuldade ou a incapacidade de realizar atividades aritméticas básicas, tais como quantificação, numeração ou cálculo.

A discalculia é causada por disfunção de áreas têmporo–parietais, muito compatível com o exame clínico do TDAH.

Vale lembrar que alguns indivíduos têm menos aptidão para matemática do que outros, e nem por isso pode-se diagnosticá-los como se tivessem discalculia.

A discalculia está quase sempre associada à quadros de dislexia e do TDAH. (onde se encontram indivíduos com QI acima da média.)

Eliana de Souza Alves Mancini

Fonoaudióloga

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Filhos: a difícil arte de pôr limites


Uma amiga terapeuta me ensinou que as mães sempre erram, é da natureza das mães errarem porque se elas fossem perfeitas, então os filhos jamais conseguiriam cortar o cordão umbilical e tornarem-se seres humanos independentes e autônomos. O conselho, embora tenha sido dado como piada, tem me ajudado muitíssimo ao longo destes meus "anos de maternagem". Sobretudo naqueles momentos negros em que a gente duvida de si mesma, da própria competência, até mesmo do amor que sente pelo filho...
Sim, porque estes momentos acontecem, acredite. Mãe cansa, tem raiva, quer desistir... algumas, poucas, graças a Deus, desistem, mas não é delas que estamos falando, certo?

O desenvolvimento
Então, a primeira coisa que eu diria para você é: sentir-se culpada por ter raiva e dar uma palmada na sua filha não é realmente nem uma solução para o problema nem muito justo com você mesma.
Só que rezar por ela também não é propriamente uma solução. Uma das grandes estudiosas do desenvolvimento dos bebês, Laurence Pernoud, explica que "dois anos é uma espécie de adolescência". E, se você pensar bem, não é mesmo? Sua filha, com dois anos, já sabe fazer tantas coisas...E dois anos é tão pouco tempo, afinal! Ela já aprendeu a comer sozinha, a caminhar, a falar, sabe reconhecer um montão de objetos e de seres; devagarzinho, começa a separar o ontem do hoje, o antes e o depois. Experimente parar por cinco minutos e fazer uma lista mental de tudo que sua filha teve que aprender desde que nasceu, coisas simples, coisas muito complexas... A lista, não parece ter fim...

Os desafios
De todos os desafios, no entanto, talvez o maior seja aprender que ela é alguma coisa diferente de você e que isso é bom, mas nem sempre... Ora, ela se acha um bebê, ora quer ser "menina grande", ora você a trata como um bebê, ora como menina grande. Pior, tem horas em que ela realmente deseja ser grande, partir para outras aventuras, cruzar a rua sem sua mão, correr sem precisar ouvir "cuidado"... mas tem aquelas outras tantas horas em que sente falta de ser pequena e a valentia toda acaba... Não, nada, nada fácil a vida aos 2 anos! Pena que a gente cresce e não lembra mais...

Entender o que se passa na cabeça da sua filha, ajuda, é claro. Compreender que ela gostaria de fazer tudo sozinha, mas não consegue e que deve mesmo ser horrível ver os adultos rirem das suas tentativas desajeitadas, é sem dúvida, um bom jeito de começar.

Os limites
Mas você vai precisar de mais que isso. "Limite" é a palavra da moda e os especialistas, as ‘supernannies’, inclusive, não cansam de dizer isso para as mães.
Só para continuarmos com Laurence Pernoud, a recomendação é clara: "não se deixe tiranizar, se ela pedir algo impossível, diga não firmemente e mantenha o não". Fácil, certo?

Não. Primeiro porque mães às vezes exageram no "não". É tãããão mais rápido e fácil amarrar o tênis do filho do que deixá-lo experimentar fazer sozinho... E comer então? Tinha uma amiga que deu comida na boca da filha até os cinco!!! E reclamava que a menina não gostava de comer! Aprender a comer é um treino que no mínimo vai deixar marcas na sua cozinha, na roupa, no cadeirão, mas cá pra nós, a melhor foto que eu tenho do meu filho do meio é uma em que ele exibe o sorriso mais orgulhoso do mundo na carinha toda lambuzada de iogurte!

Negociar
"Não" é palavra fácil de dizer e difícil de honrar. Para mim, o alerta veio do meu marido: "seu ‘não’ não vale mais nada", ele disse um dia, "você está dizendo não para tudo!" Tinha razão...
Depois, porque ter filhos é um exercício fabuloso de negociação. "Maria, vem jantar?". "Não" (ela me imita). Duas alternativas: "Vem já" e aí, o risco de uma cena começa a crescer perigosamente. Ou "O que você está fazendo?". "Brincando com a Barbie". "Hummm, será que ela está com fome, a Barbie?" As chances da Maria, sentindo-se tratada como "menina grande", concordar que afinal jantar pode mesmo ser uma boa idéia aumentam muito, não parece?

Ser mãe
Precisa exercitar a imaginação? Nem sempre você consegue manter o pique depois de trabalhar o dia inteiro? Nem sempre funciona? Tudo verdade, mas, ninguém disse que ia ser fácil. Só que toda mãe, quando chega na minha idade e vê os filhos saírem de casa pelos caminhos do mundo, sente no fundo do coração que cada minuto valeu a pena, porque nada é tão estimulante, tão fascinante e faz a gente se sentir tão viva do que ser mãe de uma criança pequena...

Adilia Belotti- jornalista

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Educar não é fácil...mas é possível!!!


1. A educação não pode ser delegada à escola. Aluno é transitório. Filho é para sempre.


2. O quarto não é lugar para fazer criança cumprir castigo. Não se pode castigar com internet, som, tv, etc...

3. Educar significa punir as condutas derivadas de um comportamento errôneo. Queimou índio pataxó, a pena (condenação judicial) deve ser passar o dia todo em hospital de queimados.

4. É preciso confrontar o que o filho conta como verdade real. Se falar que professor o xingou, tem que ir até a escola e ouvir o outro lado, além das testemunhas.

5. Informação é diferente de conhecimento, ato de conhecer vem após o ato de ser informado de alguma coisa. Não são todos que conhecem. Conhecer camisinha e não usar significa que não se tem o conhecimento da prevenção que a camisinha proporciona.

6. A autoridade deve ser compartilhada entre os pais. Ambos devem mandar. Não podem sucumbir aos desejos da criança. Criança não quer comer? A mãe não pode alimentá-la. A criança deve aguardar até a próxima refeição que a família fará. A criança não pode alterar as regras da casa. A mãe NÃO PODE interferir nas regras ditadas pelo pai (e nas punições também) e vice-versa. Se o pai determinar que não haverá um passeio, a mãe não pode interferir. Tem que respeitar sob pena de criar um delinquente.

7. Em casa que tem comida criança não morre de fome. Se ela quiser comer, saberá a hora. E é o adulto quem tem que dizer QUAL É A HORA de se comer e o que comer.

8. A criança deve ser capaz de explicar aos pais a matéria que estudou e na qual será testada. Não pode simplesmente repetir, decorado. Tem que entender.

9. É preciso transmitir aos filhos a ideia de que temos de produzir o máximo que podemos. Isto porque na vida não podemos aceitar a média exigida pelo colégio: não podemos dar 70% de nós, ou seja, não podemos tirar 7,0.

10. As drogas e a gravidez indesejada, estão em alta porque os adolescentes estão em busca de prazer. E o prazer é inconsequente.

11. A gravidez é um sucesso biológico e um fracasso sob o ponto de vista sexual.

12. Maconha não produz efeito só quando é utilizada. Quem está são, mas é dependente, agride a mãe para poder sair de casa, para fazer uso da droga . A mãe deve, então, virar as costas e não aceitar as agressões. Não pode ficar discutindo e tentando dissuadi-lo da idéia. Tem que dizer que não conversará com ele e pronto. Deve 'abandoná-lo'.

13. A mãe é incompetente para 'abandonar' o filho. Se soubesse fazê-lo, o filho a respeitaria. Como sabe que a mãe está sempre ali, não a respeita.

14. Se o pai ficar nervoso porque o filho aprontou alguma coisa, não deve alterar a voz. Deve dizer que está nervoso e, por isso, não quer discussão até ficar calmo. A calmaria, deve o pai dizer, virá em 2, 3, 4 dias. Enquanto isso, o videogame, as saídas, a balada, ficarão suspensas, até ele se acalmar e aplicar o devido castigo.

15. Se o filho não aprendeu ganhando, tem que aprender perdendo.

16. Não pode prometer presente pelo sucesso que é sua obrigação. Tirar nota boa é obrigação.

Não xingar avós é obrigação. Ser polido é obrigação. Passar no vestibular é obrigação.

Se ganhou o carro após o vestibular, ele o perderá se for mal na faculdade.

17. Quem educa filho é pai e mãe. Avós não podem interferir na educação do neto, de maneira alguma. Jamais. Não é cabível palpite. Nunca.

18. Muitas são desequilibradas ou mesmo loucas. Devem ser tratadas. (palavras dele).

19. Se a mãe engolir sapos do filho, ele pensará que a sociedade terá que engolir também.

20. Videogames são um perigo: os pais têm que explicar como é a realidade, mostrar que na vida real não existem 'vidas', e sim uma única vida. Não dá para morrer e reencarnar. Não dá para apostar tudo, apertar o botão e zerar a dívida.

21. Professor tem que ser líder. Inspirar liderança. Não pode apenas bater cartão.

22. Pais e mães não podem se valer do filho por uma inabilidade que eles tenham. Filho, digite isso aqui pra mim porque não sei lidar com o computador. Pais têm que saber usar o Skype, pois no mundo em que a ligação é gratuita pelo Skype, é inconcebível pagarem para falar com o filho que mora longe.

23. O erro mais frequente na educação do filho é colocá-lo no topo da casa. O filho não pode ser a razão de viver de um casal. O filho é um dos elementos. O casal tem que deixá-lo, no máximo, no mesmo nível que eles. A sociedade pagará o preço quando alguém é educado achando-se o centro do universo.

24. Filhos drogados são aqueles que sempre estiveram no topo da família.

25. Cair na conversa do filho é criar um marginal. Filho não pode dar palpite em coisa de adulto. Se ele quiser opinar sobre qual deve ser a geladeira, terá que mostrar qual é o consumo (KWh) da que ele indicar. Se quiser dizer como deve ser a nova casa, tem que dizer quanto isso (seus supostos luxos) incrementará o gasto final.

26. Dinheiro "a rodo" para o filho é prejudicial. Mesmo que os pais o tenham, precisam controlar e ensinar a gastar.

Finalizando:

"...A mãe (ou o pai!) que leva o filho para a igreja, não vai buscá-lo na cadeia..."

(Içami Tiba)

terça-feira, 12 de abril de 2011

Parentalidade



Quando falamos em parentalidade, estamos falando no que foi transmitido por avós paternos e maternos aos pais e que chegarão carregados de suas histórias aos filhos.

Portanto a dificuldade das crianças é a dificuldade da família, um sintoma é sempre um sintoma familiar.

Falando das crianças que vocês atendem estamos diante de famílias com maior vulnerabilidade e fragilidade. Lembrando que “todas” as famílias apresentam em sua dinâmica fragilidade e vulnerabilidade em diferentes graus, temos que perceber que nas relações com estas famílias estão atravessadas também nossas angústias, ansiedades e conflitos.

Parentalidade é o processo psicológico que torna um sujeito pai e mãe.

O conceito de parentalidade passa por três eixos:

- Biológico (Genético)

- Jurídico (Legislação)

- Processo psicológico (afetivo emocional)

E de onde vem este conceito de parentalidade?

A mídia vende uma imagem de pai e mãe que efetivamente não acontece na realidade. Daí que a depressão pós - parto, atualmente, seja um problema de saúde pública. Não é unicamente hormonal, há causa afetiva, uma discrepância em relação àquilo que a sociedade exige e o que a mãe consegue fazer.

Outro ponto fundamental é que se decide ser mãe e pai por um desejo um narcisista de continuidade, de querer que o filho realize nossos ideais. Para que sejamos pais de qualidade razoável (e é o que basta) é preciso sair desse desejo ultra narcisista e egoísta para nos tornarmos altruístas, alcançar o amor incondicional.

Vincular ao outro (filho) como o outro é, não como eu quero e preciso que seja. Fazer luto do filho ideal e acolher o filho real é o processo de cura da ferida narcísica.

Os pais que têm filhos fora do padrão esperado em uma sociedade que ainda preza valores gregos terão muita dificuldade em cicatrizar esta ferida. Porque seus filhos entram em uma classificação, recebem um diagnóstico (CID) que demarca uma patologia. São considerados anormais.

Alguns pais levam muito tempo para elaborar este luto e outros podem não conseguir fazê-lo. Nestes casos temos que contar com a criança e deixar a família seguir seu processo.

A escola, que atende crianças com autismo, deve ser um lugar de acolher o avesso, o contraditório, a dita loucura, porque muitas crianças precisam desse espaço onde possam se desorganizar, para que em outros ambientes possam estar organizados.

É fundamental perceber que a diferença do aluno é a diferença da família, e que esta simultaneamente deseja a melhora do seu filho e também a manutenção da doença que lhe dá segurança, base.

Algumas vezes nosso papel (educador, terapeuta) passa por aceitar um não reconhecimento pelo nosso trabalho, porque para a família, quando damos conta da melhora do seu filho, marcamos seu fracasso na relação com essa criança. Temos que suportar esse lugar para que o trabalho possa evoluir.e nos tornanrmos parceiros dessa família.

E sem dúvida elogiar a família é uma saída saudável na relação escola e família.

Finalizando, a capacidade de narrar, contar, além de dar conta das necessidades básicas é a função mais rica da parentalidade.

Para que uma criança não psicotize é preciso que a criança tenha acesso as suas origens, sua história. Há por trás de toda psicose uma dúvida quanto a sua origem.

Se desejarmos ser pais de razoável qualidade, narrar nossa própria história é exterminar com os nossos fantasmas também.

Todos somos doentes e saudáveis e o conceito de saúde mental está longe de não estar doente. Tem a ver com estar melhorando, evoluindo, tendo como referência a vida de cada um e não vida do outro.


Celso Gutfreind