sexta-feira, 23 de setembro de 2011

EDUCAÇÃO E LIMITES: OS (DES) CAMINHOS DA FAMÍLIA E DA ESCOLA


Não existem receitas para saber como impor limites, nem listas com os limites que as crianças de cada idade devem ter, isto varia de família para família, de pessoa para pessoa. O limite aceitável de “bagunça” de uma casa é diferente em outra, para uma família é permitido comer biscoitos antes do jantar, em outra não, por exemplo. Diz o bom senso que o nosso limite acaba quando começa o do outro, mas nos dias atuais está difícil, até mesmo para muitos adultos, enxergar o outro.

Educar filhos é tarefa complexa para pais e professores. Cada nova etapa do desenvolvimento do ser humano é um desafio à criatividade e à flexibilidade dos pais, pelo muito que deles exige em termos de tempo, dedicação e mudança de padrões de conduta e de atendimento às necessidades e às solicitações do filho.

Antes mesmo de tentar compreender o que se passa na cabeça da criança ou do adolescente, é preciso mergulhar no seu mundo. É necessário compreender que a criança e/ou adolescente apresenta características próprias, maneiras peculiares de reagir, pode ser irrequieto e agitado ou absolutamente tranqüilo a maior parte do tempo. Seu temperamento, suas atitudes vão depender do contexto em que vive, das pessoas que o cercam, das atividades que desenvolve, das relações que estabelece.

Se os pais acreditam que o adolescente “não tem vontade”, e ele não pode ter direito de escolher certas coisas, não é capaz de assumir responsabilidades ou de encontrar soluções para muitos de seus problemas, os pais tentarão dominá-lo autoritariamente, dando-lhe muitas ordens para serem sempre cumpridas com obediência e submissão. Se vêem o filho como um “ser frágil”, procuram protegê-lo ou poupá-lo excessivamente dos infortúnios da vida e estarão assim, propiciando a formação de um ser alienado da realidade em que está inserido, inseguros e com baixa auto-estima.

Sempre que a dúvida de como agir, ou a angústia de não saber estar agindo da melhor forma, surgir, pergunte-se se está fazendo com amor. Firmeza não é sinal de desamor, nem de violência.

Agir com firmeza passa segurança para as crianças. Muitas vezes, quando elas insistem em nos contrariar, estão apenas certificando-se de que estamos certos e confiantes da resolução que tomamos. Por isso as crianças gostam das regras e dos limites, para se sentirem seguras

Na escola, o adolescente vivencia o momento do confronto de várias concepções do que é “ser adolescente”, na visão dos pais, dele próprio e dos profissionais que atuam na educação. A escola significa um mundo novo, grande e desconhecido, diferente do pequeno mundo familiar, com que está acostumado. Isso pode gerar insegurança, medo e instabilidade.

O papel da escola e da família é educar o jovem para a autonomia. Isso implica, fundamentalmente, em dar a ele responsabilidades, deixando, pouco a pouco, de fazer por ele o que já ele consegue fazer sozinho. Os pais devem buscar compreender que o adolescente necessita tomar decisões. Esta vivência, no entanto, pode ser menos dolorosa e transformar-se em algo muito rico, na medida em que pais e filhos se permitirem aprender a discutir para encontrarem juntos diferentes maneiras de enfrentar os problemas, diferentes formas de viver a vida, gerando um ambiente de respeito mútuo.

O desrespeito mútuo entre adultos, crianças e adolescentes gera a indisciplina. Para que haja disciplina é necessário autoridade. Aquilo que difere o autoritarismo do comportamento de autoridade, adotado pelos pais ou professores para que filhos ou alunos tornem-se mais educados ou disciplinados, é o respeito que eles demonstram pela autoestima da criança ou do adolescente.

Realizando as mínimas vontades de seu filho ou aluno, os pais ou professores poderão deixá-lo contente, contudo, o tornarão um “reizinho mandão”,um escravo do ”sim”.

Ao mesmo tempo, é necessário que reflitamos, apesar da urgência do momento, alguns segundos pelo menos, antes de dizer “sim” ou “não”. E uma vez tomada a decisão, que possamos manter a palavra. A constância é muito importante na tarefa de educar.. Se um dia pode algo e outro não, a criança fica confusa.

Uma criança ou adolescente sem limites é emocionalmente frágil, com uma autoestima baixa.

Às vezes um dia em que não se está “a fim de se aborrecer”, um não no lugar do sim ou vice-versa, destrói todo um trabalho que havia sido feito. Neste caso, não resta outra solução a não ser começar tudo outra vez. É preciso que haja coerência nas nossas ações, lembrando que o exemplo ainda é uma ótima maneira de educar..

Falar mil vezes a mesma coisa não educa ninguém.. Uma vez é suficiente. Repetir não fará com que ela faça o que está sendo pedido, a não ser, na milésima vez, quando então o pedido for mais incisivo, ou acompanhado de outras atitudes... Que tal olhar no olho do nosso filho e pedir-lhe que vá tomar banho, ou fazer a lição de casa, ou desligue a televisão? Se não funcionar da primeira vez podemos nós mesmos leva-lo a fazer. É preciso dar importância e seriedade ao que falamos, só então nossos filhos farão o mesmo.

A criança que faz birras, joga objetos nos pais, responde e xinga a professora, poderá na adolescência, ameaçar sair de casa e até se matar .Os pais perdem o poder e, o filho vira rei ou rainha. E os pais se transformam em escravos do reizinho mandão.

“A permissividade é a outra face do autoritarismo regada a ocasionais crises autoritárias. O pai ou o professor permissivo permite/deixa tudo acontecer até o momento em que não agüentando mais a situação tenta dar um basta, manifestando um comportamento que não condiz em nada com a permissividade e acaba perdendo sua referência educativa.

Hoje seu filho é pequeno e quer tudo na mão: você acha isso normal ou “engraçadinho”. Porém, ele se tornará adolescente e depois adulto, e, nesta caminhada, poderá distorcer fatos a seu favor, fazer o papel de vítima em situações em que se sinta desconfortável, tentar despertar a compaixão de todos à sua volta quando não tiver as suas vontades satisfeitas, conseguindo, assim, que tudo o favoreça como foi favorecido pelos pais quando era criança..

Fazer a criança participar da vida da família é outra dica. Muitos pais reclamam que os adolescentes são alheios aos problemas da casa, mas é preciso que ele seja acostumado a sentir-se integrante desta família, com tarefas e responsabilidades, não só relativas a ele, como manter seu quarto arrumado, mas que o fazem sentir-se útil ao grupo familiar. Desde pequenas as crianças podem ajudar, por exemplo, colocando a mesa para uma refeição, guardando as compras na geladeira, cuidando dos animais de estimação, etc. Conforme vão crescendo suas responsabilidades podem ir aumentando, mas sempre regadas com firmeza, constância, coerência e amor.

Além de educadora e psicopedagoga sou mãe e sei quão angustiante e trabalhosa é a questão dos limites. Afinal quem disse que educar é fácil?

Portanto, a liberdade possível de ser vivida por todos nós, (em casa, na escola, na sociedade) é algo a ser construída coletivamente e permeada pelo respeito entre seus construtores (crianças, adolescentes, pais, professores, alunos). Somente com limites gerados coletivamente, a família e a escola poderão trabalhar de forma equilibrada, na construção da LIBERDADE com RESPONSABILIDADE.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

"DIFERENÇA... NÂO É DEFICIÊNCIA"


"UMA ROSA COM OUTRO NOME"

Imagine por um instante que você está visitando um viveiro de plantas. Você percebe uma agitação lá fora e vai investigar. Você encontra um jovem assistente lutando contra uma roseira. Ele está tentado forçar as pétalas da rosa a se abrirem, e resmunga insatisfeito. Você lhe pergunta o quê está fazendo e ele explica: "meu chefe quer que todas essas rosas floresçam essa semana, então na semana passada eu cortei todas as precoces e hoje estou abrindo as atrasadas". Você protesta dizendo que cada rosa floresce a seu tempo, é absurdo tentar retardar ou apressar isso.
Não importa quando a rosa vai desabrochar - uma rosa sempre desabrocha no momento mais oportuno para ela. Você olha novamente a rosa e percebe que ela está murchando, mas quando você o alerta, ele responde: "Ah, isso é mau, ela tem disdesabrochamento congênito. Vamos ter que chamar um especialista". Você diz: "Não, não! Foi você quem fez a rosa murchar! Você só precisaria satisfazer as exigências de água e luz da planta e deixar o resto por conta da natureza!" Você mal consegue acreditar no que está acontecendo. Por quê o chefe dele é tão mal informado e tem expectativas tão irreais em relação às rosas? Essa cena nunca teria se passado em um viveiro, é claro, mas acontece todo o dia em nossas escolas. Professores pressionados por um sistema seguem calendários oficiais que exigem que todas as crianças aprendam no mesmo ritmo e do mesmo jeito.
No entanto, as crianças não diferem das rosas em seu desenvolvimento: elas nascem com a capacidade e o desejo de aprender, e aprendem em ritmos diferentes e de modos diferentes. Se formos capazes de satisfazer suas necessidades, proporcionar um ambiente seguro e propício e evitar nos intrometer com dúvidas, ansiedades e calendários arbitrários, aí então - como as rosas - as crianças irão desabrochar cada uma há seu tempo.

Por Jan Hunt, Psicóloga Diretora do "The Natural Child Project”.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Semana da Pátria: hein?

Aprendi, quando criança, assim como deve ter acontecido com a maioria dos leitores, a amar a pátria. Primeiro, em casa. Minha mãe era espectadora admirada de tudo o que representasse brasilidade, de concurso de Miss Brasil a Desfile Cívico. De jogo da Copa do Mundo a posse de presidente da República. Onde houvesse Brasil, lá deveriam estar nossas atenções. Isso despertava um sentimento de pertença, de cooperação, de solidariedade.


Na escola, idem. A Semana da Pátria tinha rituais sagrados: desenho da bandeira, estudo mais aprofundado da História e, claro, desfile na avenida. Banda marcial do município! Hino, hasteamento e arriamento das bandeiras, jogral! Fita verde e amarela na lapela! Casas com bandeira nas janelas – não apenas os órgãos públicos.

Hoje, essas manifestações empalideceram. Estão distantes da pauta. Não movem nem comovem. Nas residências, em Porto Alegre ou no Interior, não há sinais da comemoração. Mais comum é ver bandeiras da dupla Gre-Nal. Nas repartições, não é muito diferente. Pelas ruas, são quase inexistentes as manifestações de homenagem ao país. Quando existem, são meramente tímidas. Envergonhadas. Ou até viram desdém.

Por óbvio: não são atitudes simbólicas, por elas mesmas, que farão brotar um novo Brasil. Mas a sociedade confundiu a pátria com apenas o que nela há de ruim. Como se o povo, tal qual Pilatos, pudesse lavar as mãos diante de todas as responsabilidades. Como se nada houvesse a comemorar. Como se amar o país significasse uma aprovação ao que de contraditório há nele.

O civismo, pelo contrário, deveria ser o ímpeto a impulsionar a preservação do certo e a mudança do errado. É o sentimento cívico, afinal, que conduz o povo à evolução. Aqui, todavia, vemos uma sociedade amorfa, acomodada até mesmo aos baixos padrões éticos da cena política.

E eis conflagrado o sonho de consumo dos lobos de plantão: uma sociedade de comportados cordeiros – já avisara um sábio.

Sei que essas minhas constatações e ideias não são novas. Mas que, nesta Semana da Pátria, sirvam como que uma nesga de contribuição para mudar um Brasil que fez desacreditar grande parte de suas instituições
e de seus representantes. Isso porque jamais se conseguiu melhorar uma nação com uma postura indiferente e apolítica.

Que a desmotivação com o mal, pois, não ofusque nosso ímpeto em favor do bem. Ou tudo estará cada vez mais perdido.


Cleber Benvegnú- ZH

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Doze maneiras de aumentar a autoestima de seu filho




"A autoestima é um ingrediente importante para uma vida feliz e bem-sucedida. A pessoa pode ser abençoada com inteligência e talento, mas se carece de autoestima, este pode ser um obstáculo em ter sucesso num emprego, num relacionamento e praticamente em todas as áreas da vida.

Os primeiros anos de uma criança são o alicerce para uma autoestima positiva.

Como pais, não podemos controlar tudo que nosso filho vê, ouve ou pensa, e que contribuirá para sua autoimagem. Porém há muito que podemos fazer.

Temos a criança nos primeiros anos de vida; Deus nos deu um presente especial – um novo ser humano com uma "lousa em branco". Durante os primeiros anos, aquilo que passa pela cabeça da criança a deixa muito impressionada. Os pais, portanto, têm uma oportunidade de estabelecer uma "conta bancária de auto-estima" na qual a criança armazena muitas coisas positivas sobre si mesma. Nos anos e décadas que virão, esta "conta bancária" compensará as experiências negativas, que são inevitáveis.

Como então fazemos depósitos na conta de nosso filho? Como podemos nós, os pais, construir para a auto-estima de nosso filho? Aqui estão algumas sugestões:

1.
Demonstre amor e afeição. Tudo que fazemos com nossos filhos, desde a mais tenra infância, deve ser com afeição e amor. Um bebê tratado com carinho terá um sentimento subconsciente de que é valioso e importante o suficiente para ser amado.

2. Elogie seu filho.
Faça elogios ao seu filho sempre que possível, toda vez que ele fizer algo bem feito. Diga: "Estou orgulhoso de você. Você é muito especial. Gostei da sua maneira de fazer isto."

3.
Torne seus elogios críveis. É importante, no entanto, que ele acredite nos elogios. Frases exageradas como "Você é o melhor do mundo. Você é a pessoa melhor que já existiu" podem na verdade ser contra-produtivos. A criança desenvolverá um ego inflado, e isso pode afetar seu relacionamento com os amigos, o que a longo prazo terá um efeito negativo sobre sua autoestima.

4. Estabeleça metas para seu filho. A meta deve ser algo passível de atingir – vestir-se sozinho, conseguir uma determinada nota na próxima prova escolar. Estabeleça metas que sejam apropriadas para a idade e capacidade da criança (estabelecer um objetivo inatingível terá um efeito negativo). À medida que a criança se aproxima da meta, estimule-a e elogie cada sucesso ao longo do caminho. Quando a criança atinge a meta, cumprimente-a e reforce sua autoimagem como realizadora.

5.
Critique a ação, não a pessoa. Quando a criança faz algo negativo, diga: "Você é uma criança especial e muito boa, não deveria estar fazendo isso", em vez de dizer "Você é mau".

6.
Confirme os sentimentos do seu filho. Quando seu filho recebe um golpe na sua autoestima, é importante validar seus sentimentos. Por exemplo, se a criança se ofendeu com um comentário maldoso de um amigo ou professor, diga a ela: "Sim, você ficou ofendida por aquilo que a pessoa disse" ou "Você se ofendeu com o fato de que a outra pessoa não gosta de você". Somente depois que a criança sentir que seus sentimentos foram validados, ela se abrirá, permitindo que você lhe aumente a autoestima, apontando pessoas que gostam dela, e as coisas positivas que outros disseram a respeito dela.

7.
Tenha orgulho do seu filho. De maneira regular, você deve lembrar-se de dizer ao seu filho como você se sente feliz e orgulhoso por ser pai/mãe dele.

8.
Fale positivamente sobre seu filho na presença de pessoas importantes na vida dele, como avós, professores, amigos, etc.

9.
Nunca compare seu filho com outras crianças, dizendo: "Por que você não é como Carlinhos?" Quando esse tipo de comparação for feita por outras pessoas, diga ao seu filho que ele é especial e único à sua maneira.

10.
Assegure que outras pessoas que lidam com seu filho conheçam seus pontos positivos. No início do ano escolar, fale com os professores de seu filho e diga-lhes quais são seus pontos fortes, assim a professora terá uma atitude positiva neste aspecto e continuará a reforçar aqueles pontos fortes.

11.
Diga ao seu filho, sempre, que o ama incondicionalmente. Quando eles falham, ou fazem algo errado, lembre-se de dizer: "Você é especial para mim, e sempre o amarei, não importa o que aconteça
!"

12.
Cuide de sua própria autoestima. Você precisa enxergar-se sob uma luz positiva. Pais que não têm auto-estima terão dificuldades em criar um filho com uma elevada autoestima. Um pai positivo é aquele que sabe que não é perfeito, mas se valoriza, e está sempre tentando crescer e melhorar.



Sthepan Kanitz

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Compaixão para com os animais





"A compaixão para com os animais é das mais nobres virtudes da natureza humana" (Charles Darwin)
Certa vez, de férias na cosmopolita Rio de Janeiro, observei uma cena em praça pública que me emocionou. Era um senhor idoso, que sentado em um banco, distribuía alimento para as pombas e outras espécies de passarinhos, que bem à vontade, esvoaçavam ao seu redor pousando em seu ombro, pernas e braços. Cheguei a contar doze deles pousados em seu corpo, e mais um tanto em sua volta, no banco. Sem dúvida, uma cena inusitada que lembrava Francisco de Assis e a sua fantástica obra em defesa da natureza e dos animais - "Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz".

Em outra oportunidade, observei em uma escola pública, a presença de um gambá adulto, que acuado pelo movimento das pessoas, subiu uma pequena árvore e ali ficou, acessível ao olhar dos curiosos que manifestavam as suas opiniões a respeito do que presenciavam. Entre expressões de repulsa em relação à "feiúra" do usurpial, ouvia-se expressões de exaltação à sua beleza. Paradoxo característico da natureza humana ao analisar outros seres da natureza considerados "exóticos".

Posteriormente, fiquei sabendo que o gambá foi recolhido pela patrulha ambiental da Brigada Militar para ser devolvido -são e salvo- a seu habitat natural. História com final feliz...

Em relação a essa espécie que se reproduz rapidamente e cuja fêmea costuma levar os seus filhotes em uma bolsa tipo canguru, tenho contato quase que diário, pois resido em uma região de morros com núcleos de áreas verdes permanentemente preservadas, e uma delas fica atrás da minha residência onde sobrevivem gambás e outros pequenos animais nativos.

No início da noite, costumo de dois a três dias por semana, alimentá-los com bananas e sobras de frutas utilizadas no consumo diário. Percebo que eles já identificam o meu cheiro e, provavelmente, a minha energia, pois demonstram confiança ao se aproximarem do local onde deposito o alimento..

Um animal nativo, perdido e afastado de seu habitat natural, é como um ser humano urbano nas mesmas condições de insegurança e medo quando sente-se perdido no ambiente natural selvagem. Mas com uma diferença: os animais somente invadem o espaço urbano ou doméstico, porque antes, invadimos o espaço deles com as nossas máquinas, ruas, casas e muros.

Portanto, considero que os animais não devem ser discriminados entre os de inclusão (cão, gato, entre outros), e os de exclusão (gambá, lagarto, cobra, etc.). Uma cobra é apenas uma cobra... e se invadiu o espaço doméstico deve ser capturada e devolvida ao seu ambiente natural. E assim o lagarto, o gambá, entre outras espécies que merecem o nosso respeito.

O respeito às diferenças é o primeiro aprendizado no contexto do amor fraternal, e experenciamos esse sentimento quando praticamos compaixão para com todos os seres da natureza. É a lei de causa e efeito que funciona tanto na dor quanto no amor.

Segundo o espiritismo, os animais tem alma (diferente da humana), inteligência rudimentar, evoluem, sobrevivem à morte do corpo físico e, na Terra, merecem o respeito e a proteção do homem.

Como a espécie hominal, a espécie animal também evolui lentamente no sentido da inteligência e da sensibilidade. Seus espíritos reencarnam e desencarnam acompanhando o ciclo da vida e da morte física. Porém, num patamar inferior ao homem.

Reportando-nos à história grega, conta-se que Licurgo foi convidado a falar sobre educação. O grande legislador de Esparta aceitou, mas pediu um ano para preparar o material que iria apresentar.

Exigência aceita, prazo cumprido, ei-lo diante da multidão que compareceu para ouvir-lhe os conceitos. Trazia duas gaiolas. Numa estavam dois cães; duas lebres na outra.

Sem nada dizer, tirou um animal de cada gaiola, soltando-os. Em instantes o cão estraçalhou a lebre.

Libertou em seguida os restantes. O público estremeceu, antevendo nova cena de sangue. Surpresa: o cão aproximou-se da lebre e brincou com ela. Esta correspondeu, sem nenhum temor às suas iniciativas.

"Aí está senhores -
esclareceu Licurgo-, porque pedi prazo tão extenso, preparando esses animais. O melhor discurso é o exemplo. O que mostrei exemplifica o que pode a educação, que opera até mesmo o prodígio de promover a confraternização de dois seres visceral e instintivamente inimigos".

O exemplo de Licurgo mostra-nos, que se é possível educar animais, mesmo antagônicos, levando-os à convivência pacífica, naturalmente será possível educar as crianças, incutindo-lhes desde cedo o respeito devido aos semelhantes e à natureza - fauna e flora.


Flavio Bastos - psicoterapeuta

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

TDO – Transtorno Desafiador Opositor


Todas as crianças passam por fases difíceis que muitas vezes poderiam ser descritas como “de oposição”, especialmente quando se está cansado, com fome, estressado ou chateado. Quando eles estão assim podem discutir, conversar, desobedecer e desafiar os pais, professores e outros adultos. Há também momentos no desenvolvimento normal que o comportamento de oposição é esperado, como por exemplo entre dois a três anos de idade ou até mesmo na pré-adolescência. Entretanto, o comportamento hostil se torna uma preocupação quando é freqüente e consistente, que se destaca quando comparado com outras crianças da mesma idade e nível de desenvolvimento e quando ela afeta a família da criança, social e a escola.

Para melhor entender, nada melhor como uma boa definição:

O transtorno de oposição (TDO) é um transtorno disruptivo, caracterizado por um padrão global de desobediência, desafio e comportamento hostil. A criança ou adolescente discute excessivamente com adultos, não aceitam responsabilidade por sua má conduta, incomodam deliberadamente os demais, possuem dificuldade de aceitar regras e perdem facilmente o controle se as coisas não seguem a forma que eles desejam (SERRA-PINHEIRO et al., 2004, p.273).

Em crianças com transtorno desafiador opositor (TDO), geralmente apresentam um padrão contínuo de comportamento não cooperativo, desafiante, desobediente e hostil incluindo resistência a figura de autoridade. O padrão de comportamento pode incluir:

Freqüentes acessos de raiva
Discussões excessivas com adultos, muitas vezes, questionando as regras
Desafio e recusa em cumprir com os pedidos de adultos
Deliberada tentativa de irritar ou perturbar as pessoas
Culpar os outros por seus erros e mau comportamento
Muitas vezes, ser suscetível ou facilmente aborrecido pelos outros
Freqüente raiva e ressentimento
Agressividade contra colegas
Dificuldade em manter amizades
Problemas acadêmicos

Embora não haja nenhuma causa claramente compreendida, acredita-se ser uma combinação de genética, ambiente, incluindo:

Disposição natural de uma criança
Limitações ou atraso no desenvolvimento da capacidade de uma criança no processo de pensamento e sentimento
Falta de fiscalização
Inconsistência ou disciplina severa
Abuso ou negligencia
Desequilíbrio de certas substancias químicas do cérebro, tais como a serotonina

Os sintomas são geralmente vistos em várias configurações, mas são mais perceptíveis em casa ou na escola. Muitos pais relatam que seu filho com TOD estava mais rígido e exigente que os irmão da criança, desde tenra idade.

Este problema é bastante comum, ocorrendo entre 2% e 16% das crianças e adolescente. Em crianças menores é mais comum em meninos, mas durante a adolescência ocorre com freqüência em ambos os sexos. O inicio é geralmente gradual e aumenta a gravidade dos problemas de comportamento ao longo do tempo.

A melhor maneira de tratar um criança com TDO inclui Psicoterapia infantil que abrange técnicas de manejo e modificação do comportamento, utilizando uma abordagem coerente da disciplina e seguir com reforço positivo de comportamentos adequados.

É muito difícil os pais lidarem com estas crianças e adolescentes, por isso é indicado Orientação de Pais para melhor entendê-los além de obterem apoio e compreensão e consequentemente receberem treinamento acerca de habilidades de manejo desta crianças.

O sucesso do tratamento requer empenho e acompanhamento em uma base regular de ambos pais e professores.


Por: Simone Barbosa Pasquini


quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Porque os países são diferentes




Investigações demonstram que a diferença entre os países pobres e os ricos não é a idade. Isto pode ser demonstrado por países como Índia e Egito, que têm mais de 2.000 anos e ainda são muito pobres.

Por outro lado, Canadá, Austrália e Nova Zelândia, que apenas 150 anos atrás eram desconhecidos, hoje são países desenvolvidos e ricos A diferença entre países pobres e ricos tampouco está nos recursos naturais disponíveis.

O Japão possui um território limitado, 80% montanhoso, inadequado para a agricultura e a criação de gado, mas é a segunda economia mundial. Este país é como uma imensa fábrica flutuante, importando matéria-prima de todo o mundo e exportando produtos manufaturados.

Outro exemplo é a Suíça, que não produz cacau, mas tem o melhor chocolate do mundo. Em seu pequeno território cria animais e cultiva o solo durante apenas quatro meses no ano. Não obstante, produz laticínios da melhor qualidade. É um país pequeno que oferece uma imagem de segurança, ordem e trabalho, transformando-o no caixa-forte do mundo.

Executivos de países ricos que se relacionam com países pobres evidenciam que não existe diferença intelectual realmente significativa. A raça, a cor da pele tampouco são importantes: imigrantes qualificados como preguiçosos em seus países de origem são a força produtiva de países europeus ricos.

Onde está, então, a diferença?
A diferença é a atitude das pessoas, moldada no decorrer dos anos pela educação e pela cultura.

Ao analisar a conduta das pessoas nos países ricos e desenvolvidos, constatamos que a grande maioria segue os seguintes princípios de vida:

1. A ética, como princípio básico.
2. A integridade.
3. A responsabilidade.
4. O respeito às leis.
5. O respeito pelos direitos dos demais cidadãos.
6. O amor pelo trabalho.
7. O esforço para economizar e investir.
8. O desejo de superar.
9. A pontualidade.

Nos países pobres, apenas uma minoria segue esses princípios básicos em sua vida diária. Não somos pobres porque nos faltam recursos naturais ou porque a natureza foi cruel conosco.
Somos pobres porque nos falta atitude. Nos falta vontade para cumprir e assumir esses princípios de funcionamento das sociedades ricas e desenvolvidas.

SOMOS ASSIM POR QUERER TOMAR VANTAGEM SOBRE TUDO e TODOS.

SOMOS ASSIM POR VER ALGO QUE ESTÁ MAL e DIZER: “DEIXA COMO ESTÁ”

DEVEMOS TER ATITUDES e MEMÓRIA VIVA SÓ ASSIM MUDAREMOS O BRASIL DE HOJE!

Provavelmente você é uma dessas pessoas que faz a diferença e luta para mudar nossa sociedade corrupta e sem princípios. Mas não esqueça que ainda existem muitos necessitando entender que a falta de princípios é a raiz da miséria.

Os pensamentos geram atitudes.
Atitudes geram hábitos.
Hábitos geram um estilo de vida.
Estilo de vida é o reflexo do caráter.
O caráter de um povo é o reflexo daquilo que ele pensa.
E seus representantes no governo, por isto, não pensam diferente.
Nós somos o que pensamos e não o que pensamos que somos.


Traduzido por Jorcelangelo L. Conti

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

BUSCA PELA SEXUALIDADE ( continuação)


Em seus devidos lugares

Dormir nos mesmos cômodos que os pais pode ser bastante prejudicial à criança, explica a psicóloga da Fundação de Assistência Social (FAS) Ana Maria Franchi Pincolini. Isso porque os casais acabam tendo vida conjugal misturada à vida familiar.

– Acho melhor 10 filhos em um quarto e o casal no outro do que cinco filhos em um quarto e os outros cinco no quarto do casal. Uma cortina ou um móvel qualquer pode fazer papel de divisória – diz.

Ana Maria lembra que não é só a falta de recursos que favorece essa realidade. Uma família superprotetora de classe média ou alta que deixa o filho ficar anos dormindo no quarto dos pais, às vezes até na cama do casal, está fazendo a mesma coisa. A psicóloga acrescenta que, desde pequena, a criança é capaz de entender que acontece algo quando os pais têm uma relação sexual. Ela até pode não saber o que se passa, mas percebe que não é bom para ela participar, orienta Ana Maria.

Dicas de livros
- Mamãe Botou um Ovo, de Babette Cole
- De Onde Viemos? Explicando às Crianças os Fatos da Vida, Sem Absurdos, de Peter Mayle e Arthur Robins

terça-feira, 2 de agosto de 2011

BUSCA PELA SEXUALIDADE

Instinto Natural





Desde o nascimento, a criança explora o prazer, os contatos afetivos e as relações de gênero

Qual pai ou mãe não fica em uma saia justa quando seus pequenos começam a descobrir a sexualidade? Atitudes embaraçosas e perguntas constrangedoras fazem parte do desenvolvimento saudável da criança. E é fundamental tentar perceber se elas estão demonstrando uma curiosidade de acordo com sua idade. Conforme a pedagoga Simone Selbach, que trabalha com crianças há 24 anos, elas começam a questionar sobre o assunto à medida em que descobrem o seu próprio corpo.

– O problema é que nem sempre os pais sabem como falar e pedem auxílio para isso. Não é porque viveram uma maior liberdade sexual que desenvolveram um entendimento completo sobre sua própria sexualidade – completa.

Em todos os momentos em que os pais são questionados, segundo a pedagoga, é aconselhável dar respostas verdadeiras e diretas. Para P.S., 30 anos (que prefere não se identificar), mãe de João, dois anos, é necessário falar abertamente, mas respeitando a faixa etária em que a criança estiver.

– Até esse momento, meu filho não despertou para certas atitudes, mas, como qualquer criança de sua idade, está descobrindo o seu corpo, se tocando e percebendo como é novo e bom se conhecer – complementa.

Quando P.S. percebe que a distração do filho com seu corpinho é demais, procura envolvê-lo com outras brincadeiras.

– Nunca reprimo o João, pois isso poderá gerar, segundo o pediatra dele, problemas futuros – justifica a mãe.

É preciso que os pais compreendam que essa descoberta é saudável para o desenvolvimento de uma sexualidade adulta sem traumas. A estudante universitária Sílvia Lopes, 36 anos, mãe de Rafael Lopes Ramos, 13 anos, sente mais vergonha de perguntar sobre o assunto agora que o filho está na pré-adolescência do que quando ele era pequeno. Sílvia recorda, entretanto, que, quando Rafael começou a ir para a escola, também vieram os questionamentos. Uma das tradicionais perguntas do garotinho era “Como nascem os bebês, mamãe?”. Ela disse a ele que Deus tinha uma sementinha rosa para as meninas e uma azul para os meninos.

– Hoje em dia, nem precisa mais dos pais para tirar as dúvidas, o Rafael vai na internet e descobre tudo – observa Sílvia.

MÁRCIA DORIGATTI- Zero hora

terça-feira, 12 de julho de 2011

É um perigo!!!!


Vale pela reflexão!
Além da CORRUPÇÃO que anda solta no país..., mais essa agora!!!!
Vamos rir ...para não chorar.

(Desconheço o autor)

Outro dia eu estava no mercado, quando vi, no final do corredor, um

amigo da época da escola, que não encontrava há séculos. Feliz com o
reencontro, me aproximei, já falando alto:
- Oswaldo, sua bichona! Quanto tempo!!!
E fui, com a mão estendida, para cumprimentá-lo. Percebi que o Oswaldo
me reconheceu, mas antes mesmo que pudesse chegar perto dele só vi o
meu braço sendo algemado.
- Você vai pra delegacia! – Disse o policial que costuma frequentar o mercado.
Eu, sem entender nada, perguntei:
- Mas o que foi que eu fiz?
- HOMOFOBIA! Bichona é pejorativo, o correto seria chamá-lo de homossexual.
Nessa hora, antes mesmo de eu me defender, o Oswaldo interferiu
tentando argumentar:
- Que é isso doutor, o quatro-olhos aí é meu amigo antigo de escola, a
gente se chama assim na camaradagem, mesmo!
- Ah, então você estudou vários anos com ele e sempre se trataram assim?
- Isso mesmo, doutor, é coisa de criança!
E, nessa hora, o policial já emendou a outra ponta da algema no Oswaldo:
- Então, você tá detido também.
Aí, foi minha vez de intervir:
- Mas, meu Deus, o que foi que ele fez?
- BULLYING! Te chamando de quatro-olhos por vários anos durante a escola.
Oswaldo, então, se desesperou:
- Que é isso, seu policial! A gente é amigo de infância! Tem amigo que
eu não perdi contato até hoje. Vim aqui comprar umas carnes prum
churrasco com outro camarada que pode confirmar tudo!
E, nessa hora, eu vi o Jairzinho "pé-de-pato" chegando perto da gente
com 2 quilos de alcatra na mão. Eu, já vendo o circo armado, nem
mencionei o pé-de-pato pra não piorar as coisas, mas ele, sem entender
nada ao ver o Oswaldo algemado, já chegou falando:
- Que porra é essa, negão, que que tu aprontou aí?
E aí não teve jeito, mesmo. Fomos os três parar na delegacia e, hoje,
estamos respondendo processo por HOMOFOBIA, BULLYING e RACISMO.

*Moral da história: Nos dias de hoje, é um perigo encontrar velhos amigos!*