segunda-feira, 29 de junho de 2015

Síndrome de Tourette em Crianças


A Síndrome de Tourette é um distúrbio neurológico caracterizado pela presença de tiques motores e vocais, não necessariamente ao mesmo tempo. Os primeiros sintomas costumam aparecer na infância, normalmente por volta dos sete anos de idade, mas isso pode variar de pessoa para pessoa, podendo se manifestar mais cedo ou mais tarde e, em geral, os tiques motores (como piscadelas dos olhos por exemplo) surgem antes dos tiques vocais (que podem ser tosses, exclamações, gritos, entre outros).




domingo, 21 de junho de 2015

Uma opção brasileira contra o autismo


Médicos do Rio Grande do Sul testam com sucesso substância capaz de reduzir de forma significativa sintomas da doença como a irritabilidade e problemas na fala

Cilene Pereira (cilene@istoe.com.br)
A gaúcha Daiene Queiroz Engel, 32 anos, já estava habituada ao silêncio do filho, Breno, oito anos. O garoto é autista e pouco falava. Era uma palavra aqui, outra ali. Frases inteiras, somente algumas, e mesmo assim sobre assuntos que lhe interessavam muito. No sítio onde mora com o filho Fernando Henrique, seis anos, nas proximidades de Porto Alegre, Estela Maris Souto, 47 anos, via o menino inquieto repetir o hábito de esfregar as mãos dia após dia, numa rotina angustiante. O garoto recebeu o diagnóstico de autismo quando tinha pouco mais de dois anos. Uma substância em teste por pesquisadores brasileiros, no entanto, mudou a vida das duas crianças, de mais 21, e a de seus pais durante alguns meses. Sintomas evidentes da doença, como a pouca interação social e o atraso na fala, foram bastante reduzidos. Breno de repente pronunciou frases inteiras e repetiu a palavra mamãe e papai outras tantas. Daiene se emocionou. Fernando Henrique parou de esfregar as mãos e finalmente conseguiu ficar sentado, mais tranquilo. E Estela se surpreendeu.
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FOCO
Estela se surpreendeu com o efeito do composto 
no filho Fernando Henrique. O menino ficou mais concentrado
A responsável por esses benefícios é a proteína GRP, envolvida no processo de digestão. Seu potencial no tratamento do autismo foi descoberto meio que por acaso. Ela vinha sendo objeto de estudo no Hospital de Clínicas de Porto Alegre como um possível recurso terapêutico contra o câncer, mas os pesquisadores observaram que o composto tinha impacto também no sistema nervoso. “Chamou-me a atenção o fato de que existem áreas do sistema nervoso que também possuem concentrações elevadas de receptores para ligarem GRP”, disse o médico Gilberto Schwartsmann, chefe do Serviço de Oncologia do hospital gaúcho. “Estes receptores têm como função a indução de mecanismos de memória associada a experiências afetivas”, explica.
O raciocínio foi o de que se houvesse o mau funcionamento destes receptores, poderia haver o surgimento de sintomas de doenças afetivas. Um teste em cobaias provou que a hipótese estava certa. “O bloqueio do estímulo pelo GRP nas áreas de retenção de memórias de experiências afetivas produzia um quadro de isolamento social e afetivo muito semelhante ao que pode ser observado em muitas doenças afetivas, incluindo o autismo”, diz Gilberto Schwartsmann. A constatação foi a senha que os cientistas precisavam para continuar na linha de estudo. Desta vez, fazendo o contrário: fornecendo doses adequadas de GRP. Nos animais que receberam a substância, houve a atenuação dos sintomas.
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PROGRESSOS
Os médicos Gilberto (de terno) e Rudimar lideram a pesquisa para a
criação da droga. Daiene se emocionou porque o filho, Breno,
falou mais enquanto estava sendo medicado
Os testes em crianças começaram há cerca de três anos. Foram envolvidos 23 pacientes, divididos em três estudos distintos, que tiveram duração de alguns meses cada um. Os garotos Breno e Fernando Henrique foram dois dos participantes. As conclusões são bem animadoras. “Tenho 24 anos de neuropediatria e esta substância foi a que melhor atuou em autismo”, diz o médico Rudimar Riesgo, chefe da Unidade de Neuropediatria do HC de Porto Alegre. “As respostas foram extraordinárias em alguns pacientes. E de uma forma geral, houve melhora na irritabilidade, na hiperatividade, nos movimentos repetitivos que costumam ocorrer nos casos de autismo e na linguagem”, completa.
Nos planos dos pesquisadores bra­sileiros está a expansão do estudo para um número maior de crianças, possivelmente em uma pesquisa multicêntrica — os métodos são usados por diferentes profissionais de diferentes instituições. “Se todos obtiverem os mesmos resultados, a eficácia do GRP ficará definitivamente confirmada”, afirma Riesgo.
Os cientistas submeteram pedido de patente no Brasil e a órgãos internacionais. Embora vários laboratórios tenham manifestado interesse no desenvolvimento da droga, os pesquisadores dão preferência ao laboratório brasileiro Cristália, com quem mantêm alguns projetos e empresa com a qual já iniciaram conversas a respeito da promessa nacional contra o autismo.
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Fotos: Marcos Nagelstein 

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Timidez na infância

Timidez na infância

 A timidez pode ser definida como a tendência para evitar interações sociais, devido ao receio de ser avaliado negativamente por parte dos outros. Em termos somáticos, as manifestações de timidez caracterizam-se, sobretudo, por rubor, tensão muscular, palpitações, tremuras e sudação intensa. Se o seu filho rói as unhas, tem as mãos sempre bastante suadas, é retraído, é muito passivo e tem dificuldade em relacionar-se com colegas da mesma idade, então provavelmente é uma criança tímida. Apesar de não existir muito consenso sobre a origem da timidez, muitos investigadores consideram que, embora esta tenha uma origem genética, ela pode ser exacerbada ou modificada a partir das interacções que a criança estabelece com os outros.
 A falta de vivências sociais é uma das causas mais relevantes para a timidez. Tudo indica que o isolamento social durante a infância perturba bastante o normal desenvolvimento da expressão emocional. Para além disto, Rosenbaum constatou, através de um estudo, a existência de uma forte correlação entre o elevado nível de ansiedade interpessoal dos pais e as condutas de timidez dos filhos.
 Existe uma série de consequências negativas associadas à timidez. As crianças tímidas têm geralmente mais dificuldade em fazer e em manter amizades porque carecem de habilidades sociais, o que contribui para se tornarem mais solitárias. As dificuldades de se defenderem são outra consequência negativa, na medida em que os outros por vezes abusam delas.
 A timidez é também frequentemente interpretada pelas outras crianças como sinal de indiferença e desinteresse, o que contribui para que estas crianças sejam ignoradas ou excluídas. Como elas têm dificuldade em expressar as suas emoções, por vezes procuram escondê-las, com tudo o que de negativo daí advém. O fato de a timidez implicar um elevado desgaste emocional para a criança, deve levar-nos a procurar formas de a minimizarmos. Uma das estratégias que poderão ajudar a criança a vencer a timidez é tentar criar, no contexto familiar, espaços onde ela possa falar relaxadamente, aproveitando todas as oportunidades para se reforçar positivamente o seu comportamento. É fundamental também que no contexto escolar os educadores ou professores ajudem neste processo, estimulando a criança a participar sempre que esta seja capaz de o fazer. Para além do que foi referido, é importante ter presente que numerosos comportamentos se podem adquirir através da aprendizagem social ( observação de modelos). Se os pais apresentarem comportamentos extrovertidos, as crianças mais facilmente poderão interiorizar este tipo de comportamento. O contrário também acontece, ou seja, pais tímidos e pouco sociáveis poderão potenciar o desenvolvimento de condutas tímidas nos filhos.
 O que daqui se pode concluir é que, apesar de a genética contribuir para o aparecimento da timidez, os pais podem contrariá-la se exibirem perante os seus filhos, comportamentos marcadamente extrovertidos e se criarem oportunidades que permitam à criança ter uma grande variedade de experiências sociais.

 Adriana Campos

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Dificuldades de aprendizagem

Quais as principais dificuldades de aprendizagem ?

Para muitos, as expressões “dificuldade” e “transtorno” de aprendizagem têm o mesmo significado. Mas vale enfatizar que são dois problemas diferentes e que se manifestam e devem ser tratadas de maneiras distintas.
dificuldadesAs dificuldades de aprendizagem, normalmente, estão relacionadas a fatores externos que acabam interferindo no processo do aprender do estudante, como a metodologia da escola e dos professores, a influência dos colegas…
Em contrapartida, os transtornos, normalmente, estão intrínsecos e fazem parte do aluno, seja uma disfunção neurológica, química, fatores hereditários, imaturidade…
Partindo do princípio que, para muitos, dificuldades e transtornos têm o mesmo significado, podemos citar quais são as principais dificuldades de aprendizagem:
Transtorno de Déficit de Atenção com ou sem Hiperatividade: é um problema de desatenção com ou sem hiperatividade (quando a criança é agitada e não consegue parar quieta. Elas se machucam com mais frequência, não têm paciência, interrompem conversas…;
Discalculia: dificuldade de aprender tudo o que está relacionado a números como: operações matemáticas; dificuldade de entender os conceitos e a aplicação da matemática; seguir sequências; classificar números…;
Dislalia: um distúrbio de fala, caracterizado pela dificuldade em articular as palavras e pela má pronunciação, omitindo, acrescentando, trocando ou distorcendo os fonemas;
Disortografia: dificuldade de aprender e desenvolver as habilidades da linguagem escrita, é um transtorno específico da grafia que, geralmente, acompanha a dislexia.
Ainda que muitos pensem que transtorno dificuldade de aprendizagem seja o mesmo, é importante ter conhecimento sobre a diferença entre eles. Antes de procurar um professor particular para o seu filho, busque um diagnóstico clínico para saber quais os seus problemas de aprendizagem. Confundir transtorno com dificuldades pode acarretar sérios problemas na vida do sujeito e tratá-los da mesma maneira, provavelmente, não surtirá o efeito desejável.
psicopedagogo é um profissional especializado para diagnosticar os problemas no processo de aprendizagem do estudante, caso você queira descobrir quais os problemas de aprendizagem de seu filho, entre em contato (...)
 Por Anne Mascarenhas

segunda-feira, 18 de maio de 2015

10 sinais e características da DISLEXIA

Muitas crianças tem dificuldade de aprendizagem, neste caso, seria  ideal  que todas fossem testadas para detectar se elas tem dislexia. Porém, o sistema educacional brasileiro é deficiente e há uma falta de recursos na maioria das escolas do país. Este caso, é importante que pais e professores fiquem atentos aos sinais de dislexia para que possam ajudar seus filhos e alunos.
Dislexia
O primeiro sinal de provável dislexia pode ser detectado quando a criança, apesar de estudar, tem grande dificuldade em assimilar o que é ensinado pelo professor. Crianças cujo desenvolvimento educacional é retardatário podem ser bastante inteligentes, porém, ter dislexia. O melhor procedimento a ser adotado é permitir que profissionais qualificados na área de saúde mental e educacional, examinem a criança para averiguar se ela é disléxica. A dislexia não é o único transtorno que inibe o aprendizado, mas é o mais comum e pode vir acrescido de TDAH ou outros transtornos.
Existem muitos sinais que identificam a dislexia. Crianças disléxicas tendem a confundir letras com grande frequência. Entretanto, esse indicativo não é totalmente confiável, pois muitas crianças, inclusive não-disléxicas, frequentemente confundem as letras do alfabeto e as escrevem de lado ao contrário, principalmente no inicio da alfabetização. No maternal, ou na alfabetização crianças disléxicas demonstram dificuldade ao tentar rimar palavras e reconhecer letras e fonemas. Na primeira série, elas não conseguem ler palavras curtas e simples, têm dificuldade em identificar fonemas e reclamam que ler é muito difícil. Do primeiro ao quinto ano, crianças que tem dislexia têm dificuldade em soletrar, ler em voz alta e memorizar palavras; elas também frequentemente confundem palavras. Esses são apenas alguns dos muitos sinais que identificam que uma criança tem dislexia. A dislexia é tão comum em meninos quanto em meninas.
Dislexia

Sinais na primeira infância:

Após vários estudos realizados, tanto no Brasil como no exterior, constataram-se possíveis sinais de dislexia na primeira infância, dentre os quais podemos citar:
1 – atraso perceptível no desenvolvimento motor desde a fase do engatinhar, sentar e andar;
2 – atraso relevante na aquisição da fala, desde o balbucio à pronúncia de palavras;
3 – dificuldade para essa criança entender o que está ouvindo;
4 – distúrbios do sono;
5 – enurese noturna;
6 – suscetibilidade às alergias e às infecções;
7 – A criança tem tendência à hiper ou a hipo-atividade motora;
8 – Fica inquieta e chora muito ou fica agitada com muita frequência;
9 – Apresenta dificuldades para aprender a andar de triciclo;
10 – tem dificuldades de adaptação nos primeiros anos escolares;

Segundo pesquisas científicas neurobiológicas recentes concluíram que o sintoma mais conclusivo acerca do risco de dislexia em uma criança, pequena ou mais velha, é o atraso na aquisição da fala e sua dificuldade na percepção fonética. Quando este sintoma está associado a outros casos familiares de dificuldades de aprendizado e a dislexia é, comprovadamente, genética, afirmam especialistas que essa criança pode vir a ser avaliada já a partir de cinco anos e meio, idade ideal para o início de um programa interventivo. Esses programas com profissionais adequados podem trazer as respostas mais favoráveis para superar ou minimizar essa dificuldade.
Quando a criança apresenta dificuldade de discriminação fonológica  este fator leva a criança a pronunciar as palavras de maneira errada. Essa falta de consciência fonética, decorrente da percepção imprecisa dos sons básicos que compõem as palavras, acontece, já, a partir do som da letra e da sílaba. Essas crianças podem expressar um alto nível de inteligência, “entendendo tudo o que ouvem”, como costumam  observar suas mães, porque têm uma excelente memória auditiva. Portanto, sua dificuldade fonológica não se refere à identificação do significado de discriminação sonora da palavra inteira, mas da percepção das partes sonoras diferenciais de que a palavra é composta. Esta é a razão porque a pessoa disléxica apresenta dificuldades significativas em leitura, que leva a tornar-se, até, extremamente difícil sua soletração de sílabas e palavras.
Dislexia
É necessário que estes sintomas sejam observados e averiguados para um possível diagnóstico, pois é melhor que este seja feito o quanto antes,  para que haja o tratamento adequado no caso de dislexia e estes sintomas não influenciem negativamente na aprendizagem da criança.
Fonte: Socorro Bernardes

terça-feira, 5 de maio de 2015

Falando sobre DISLEXIA


A aprendizagem é um processo complexo e mesmo as dificuldades associadas a ele envolvem muitos fatores que precisam ser conhecidos. Quando conhecemos causas e funcionamento, conseguimos lidar melhor com os obstáculos. Então, vamos falar um pouco melhor sobre Dislexia?
  • Você sabe o que é Dislexia?
A Dislexia é um transtorno de aprendizagem de origem neurobiológica e sua principal característica é a dificuldade no reconhecimento (leitura) preciso e/ou fluente da palavra, na habilidade de decodificação e na soletração.(Definição adotada pela IDA – International Dyslexia Association, em 2002. Essa também é a definição usada pelo National Institute of Child Health and Human Development – NICHD) É importante ressaltar que a Dislexia não está associada à inteligência ou à capacidade de pensar, não significa falta de motivação ou de vontade de aprender, não é um problema psicológico, de comportamento ou social. E também não se trata de uma doença. “É um funcionamento peculiar do cérebro para o processamento da linguagem”.
  • Os sinais apresentados:
Cada pessoa é um ser único, individual. E cada pessoa com Dislexia também tem características próprias, nenhuma é exatamente igual à outra e, sendo assim, os sinais podem se mostrar diferentes de um indivíduo para o outro. Mas alguns sinais são mais comuns, como: dificuldade de pronunciar alguns fonemas, dificuldade para rimas, inversão de letras e palavras (como trocar o “p” pelo “q” ou o “d” pelo “b”), dificuldade para separar e sequenciar sons (como: b-o-l-a), dificuldade na compreensão de textos, pode apresentar dificuldade de concentração, entre outros.
  • Toda dificuldade de aprendizagem e/ou concentração é um sinônimo de Dislexia?
A resposta é, sem dúvidas, não!
Precisamos tomar muito cuidado com diagnósticos precipitados, ainda mais considerando a era digital em que vivemos, onde poucas escolas se adequam aos novos interesses e demandas de aprendizagem, onde as crianças são excessivamente expostas a estímulos tecnológicos e excessivamente cobradas em múltiplos afazeres. Muitos fatores podem estar relacionados então a uma dificuldade de concentração em tarefas escolares ou mesmo dentro da sala de aula, por exemplo. Em relação à dificuldade de leitura, escrita e aprendizagem, precisamos levar em conta também possíveis problemas de visão e audição, fatores neurológicos, sociais, familiares, psicológicos, de metodologia de ensino no ambiente escolar e outros. Só depois de uma análise muito cuidadosa, poderemos estabelecer um diagnóstico positivo ou negativo para a Dislexia.
  • Descobrindo a Dislexia:
Desde muito cedo é possível observar alguns sinais da Dislexia, mas um diagnóstico seguro é feito a partir de um tempo considerável de exposição da criança ao aprendizado da leitura e da escrita. E é claro, precisamos respeitar as fases de desenvolvimento da criança, pois cada idade responde de uma forma a estímulos novos e cada criança tem seu ritmo de aprendizagem, que nem sempre será exatamente aquele que a família deseja.
  • Por que algumas pessoas só descobrem a Dislexia na fase adulta?
A Dislexia é um quadro que está presente durante toda a vida do indivíduo, desde o nascimento. O que ocorre nos casos em que só se descobre o transtorno na fase adulta é que o disléxico provavelmente encontrou formas de lidar e compensar a suas dificuldades (mediante a um esforço maior do que pessoas que não tem Dislexia), convivendo com elas até que fosse estabelecido um diagnóstico.
  • Papel da família:
Diante da suspeita de Dislexia, ou mesmo após o diagnóstico e durante o acompanhamento do quadro, o papel da família é fundamental. Às vezes os pais se sentem frustrados em suas expectativas ao verem que o aprendizado do filho segue a passos mais lentos do que eles esperavam. No início isso pode resultar em cobranças até sufocantes para as crianças, o que pode piorar as dificuldades que elas já apresentam. Buscar o auxílio de profissionais (fonoaudiólogo, psicólogo, neuropediatra…) irá ajudar a família a lidar com todo este processo e trabalhar a compreensão e paciência, tão importantes para o disléxico. Acompanhar de forma positiva todas as evoluções, respeitar e também dar apoio nas dificuldades deve ser o papel da família sempre.
Ane Caroline Janiro – Psicóloga clínica 

terça-feira, 21 de abril de 2015

A BORBOLETA E A PSICOPEDAGOGIA


O psicopedagogo coloca-se
À altura da borboleta,
Intervindo no processo de seu nascimento, 
Elaborando o tempo e o espaço necessários,
Sem medo, Sem insegurança,
Sem precipitação.
Há tempo para tudo,
Tempo para nascer,
Tempo para viver,
Tempo para respirar,
Tempo para morrer.
Viver, este é o segredo,
O psicopedagogo conhece
A história da borboleta,
Acompanha o seu desenvolvimento,
Percebe o seu progresso,
Evolução.
Impaciência,
Ansiedade,
Devem ser superadas.
Esta ação é humanizante,
Coletiva,
Socialmente,
E com ela conquistaremos a maturidade,
A consciência da realidade
E a humanização da borboleta,
Esta borboleta é o EDUCANDO.
de José Damião Limeira
Porto Alegre - RS - por correio eletrônico

domingo, 12 de abril de 2015

Estratégias para memória em crianças com Déficit de Atenção ou Dislexia

Existem crianças que tem dificuldade para guardar as informações na memória de trabalho e depois utiliza-la.
Déficit de atenção
Em atendimentos feitos a crianças, em especial, as que têm dislexia e déficit de atenção, notamos que este fato acontece bastante. Muitas vezes o professor pensa ensinar o que sabe, porém, a criança nem sempre aprende o que o professor quer ensinar, mas sim o que ela quer aprender, ou seja, algo que o professor nem sabe que ensinou mas que a criança reteve.
Déficit de atenção
Como citamos em artigos anteriores, sobre memória de curto prazo ou memória de trabalho, vamos apenas relembrar que:
– “Se não utilizarmos que trabalharmos com a informação da memória de trabalho, rapidamente, ela se desvanecerá (ao redor de 15 segundos).
– A informação que não é guardada na memória de longo prazo não pode ser relembrada.
– Podem ser utilizadas várias estratégias para manter a informação de memória de curto prazo. Por exemplo, a informação pode ser repassada, realizar elaborações com ela, criar imagens visuais, etc.
– A informação da memória de longo prazo é transferida para a memória de trabalho; isso é o que permite sua utilização.
Devemos sempre lembrar que para que qualquer aprendizagem seja possível, o aspecto emocional é primordial: NÃO ocorre uma aprendizagem se existir uma interferência afetiva.
A retenção da informação varia também de acordo com o método de ensino utilizado. O gráfico abaixo representa o resultado de estudos realizados depois que alunos foram expostos a diferentes métodos de ensino.
Na aula oral presume-se que o aluno aprende 5%, leitura 10%, Audiovisual 20%, demonstração 30%, discussão em grupo 50%, praticar fazendo, 75%, ensinar a outro/uso imediato da aprendizagem 90%.
Retenção Informação
A informação relembrada depois de 24 horas presumimos que estará na memória de longo prazo. Para melhor reter a informação na memória dos alunos, observe as estratégias abaixo:

Algumas estratégias para melhorar a qualidade da memória visual:


– Criar imagens visuais: Pedir à criança que feche os olhos e imagine um brinquedo, Ex: Uma bola
– Realizar conexões ou associações: Associar letras a imagens, exemplo C com casa, D com dado, ou cores com imagens, vermelho com coração, verde com limão, marrom com urso (explicar que nem todos os ursos são marrons), etc.
Déficit de atençãoDéficit de atenção
– Dar as instruções de várias maneiras: dar as instruções tanto de forma oral quanto utilizando imagens, sons, ou até mesmo fazendo um pequeno teatro. É bastante divertido.
– Apresentar ilustrações com letras. Mostre as ilustrações a criança e peça que a mesma a memorize e depois as reproduza no papel. A quantidade de letras pode ir aumentando de acordo com a idade.
Ex:
MOICGADBGTFIBJSSKN
Espero que este artigo e estas estratégias tenham ajudado muito a todos vocês. Até o próximo post onde continuarei escrevendo sobre estratégias e atividades que tem me auxiliado bastante e onde tenho obtido resultados muito positivos com meus alunos. Comentem, façam sugestões, estarei fazendo esta parceria e responderei a todos os comentários de vocês.
Psicopedagoga, Psicanalista Clínica, Palestrante, Bacharel em Administração de Empresas, Professora do município de Juazeiro-BA na área de Atendimento Educacional Especializado, Escritora/poetisa com livro publicado pela Editora Baraúna e CBJE.

terça-feira, 7 de abril de 2015

A TRANSFERÊNCIA




A transferência é um fenômeno que ocorre na relação paciente/terapeuta, onde o desejo do paciente irá se apresentar atualizado, com uma repetição dos modelos infantis, as figuras parentais e seus substitutos serão transpostas para o analista, e assim sentimentos, desejos, impressões dos primeiros vínculos afetivos serão vivenciados e sentidos na atualidade.
O manuseio da transferência é a parte mais importante da técnica de análise. Em Um Estudo Autobiográfico Freud (1925) faz uma explanação geral do mecanismo de transferência. A transferência logo que surge substitui na mente do paciente o desejo de ser curado, e, enquanto for afeiçoada e moderada, torna-se o agente da influência do médico e nem mais nem menos do que a mola mestra do trabalho conjunto de análise
Posteriormente, quando se tiver tornado arrebatada ou tiver sido convertida em hostilidade, torna-se o principal instrumento da resistência. Poderá então acontecer que paralise os poderes de associação do paciente e ponha em perigo o êxito do tratamento. Não é possível falar em análise sem transferência. Não se deve supor, todavia, que a transferência seja criada pela análise e não ocorra independente dela. A transferência é meramente descoberta e isolada pela análise. Ela é um fenômeno universal da mente humana, decide o êxito de toda influência médica, e de fato domina o todo das relações de cada pessoa com seu ambiente humano.
Em A História do Movimento Psicanalítico (1914) fala que o surgimento da transferência sob forma francamente sexual- seja de afeição ou hostilidade – no tratamento das neuroses, apesar de não ser desejada ou induzida pelo médico nem pelo paciente, sempre lhe pareceu a prova mais irrefutável de que a origem das forças impulsionadoras da neurose está na vida sexual. E ainda que a transferência seja ponto de partida do trabalho da psicanálise.
Se o paciente coloca o analista no lugar do pai (ou da mãe), está também lhe concedendo o poder que o superego exerce sobre o ego, visto que os pais foram, como sabemos , a origem do seu superego. O novo superego dispões agora de uma oportunidade para uma espécie de pós-educação do neurótico. (Freud, 1930, pág. 49)
Na transferência o paciente produz com clareza plástica, uma parte importante da história de sua vida, da qual de outra maneira, ter-nos-ia fornecido apenas um relato insuficiente. Ele a representa diante de nós, por assim dizer, em vez de apenas nos contar. (Freud, 1930)
A transferência permite que o analista se aproprie do saber inconsciente que se insinua na fala do sujeito. A interpretação da transferência é perigosa, pois tal procedimento pode até aliviar a angústia do sujeito, e com isso gratificar o analista, mas pode ser que o analisando esteja apenas substituindo sua associações pelas interpretações do analista, numa tentativa de recuperar a estabilidade que as defesas conferem à neurose.
Em A Questão da Análise Leiga Freud (1927) declara que toda análise digna dessa nome institui uma neurose de transferência, que constitui o sintoma, um sintoma analítico.uma responsabilidade maior do analista na condução da análise reside no manejo da transferência, num manejo analítico da neurose de transferência. Ele dizia que o neurótico não quer curar-se, mais precisamente não quer curar-se dessa neurose de transferência.
A transferência se constitui a partir da realidade psíquica do analisando, por meio dos seus desejos, medos e outros aspectos da sua subjetividade. Em Recordar, Repetir e Elaborar, Freud (1914) esclarece que a transferência cria uma região intermediária entre a doença e a vida real, através da qual a transição de uma para a outra é efetuada. A nova condição assumiu todas as características da doença, mas representa uma doença artificial, que é, em todos os pontos acessível à nossa intervenção. Trata-se de um fragmento que foi tornado possível por condições especialmente favoráveis, e que é de natureza provisória

Fonte: https://psicologado.com/abordagens/psicanalise/transferencia © Psicologado.com