quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Compaixão para com os animais





"A compaixão para com os animais é das mais nobres virtudes da natureza humana" (Charles Darwin)
Certa vez, de férias na cosmopolita Rio de Janeiro, observei uma cena em praça pública que me emocionou. Era um senhor idoso, que sentado em um banco, distribuía alimento para as pombas e outras espécies de passarinhos, que bem à vontade, esvoaçavam ao seu redor pousando em seu ombro, pernas e braços. Cheguei a contar doze deles pousados em seu corpo, e mais um tanto em sua volta, no banco. Sem dúvida, uma cena inusitada que lembrava Francisco de Assis e a sua fantástica obra em defesa da natureza e dos animais - "Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz".

Em outra oportunidade, observei em uma escola pública, a presença de um gambá adulto, que acuado pelo movimento das pessoas, subiu uma pequena árvore e ali ficou, acessível ao olhar dos curiosos que manifestavam as suas opiniões a respeito do que presenciavam. Entre expressões de repulsa em relação à "feiúra" do usurpial, ouvia-se expressões de exaltação à sua beleza. Paradoxo característico da natureza humana ao analisar outros seres da natureza considerados "exóticos".

Posteriormente, fiquei sabendo que o gambá foi recolhido pela patrulha ambiental da Brigada Militar para ser devolvido -são e salvo- a seu habitat natural. História com final feliz...

Em relação a essa espécie que se reproduz rapidamente e cuja fêmea costuma levar os seus filhotes em uma bolsa tipo canguru, tenho contato quase que diário, pois resido em uma região de morros com núcleos de áreas verdes permanentemente preservadas, e uma delas fica atrás da minha residência onde sobrevivem gambás e outros pequenos animais nativos.

No início da noite, costumo de dois a três dias por semana, alimentá-los com bananas e sobras de frutas utilizadas no consumo diário. Percebo que eles já identificam o meu cheiro e, provavelmente, a minha energia, pois demonstram confiança ao se aproximarem do local onde deposito o alimento..

Um animal nativo, perdido e afastado de seu habitat natural, é como um ser humano urbano nas mesmas condições de insegurança e medo quando sente-se perdido no ambiente natural selvagem. Mas com uma diferença: os animais somente invadem o espaço urbano ou doméstico, porque antes, invadimos o espaço deles com as nossas máquinas, ruas, casas e muros.

Portanto, considero que os animais não devem ser discriminados entre os de inclusão (cão, gato, entre outros), e os de exclusão (gambá, lagarto, cobra, etc.). Uma cobra é apenas uma cobra... e se invadiu o espaço doméstico deve ser capturada e devolvida ao seu ambiente natural. E assim o lagarto, o gambá, entre outras espécies que merecem o nosso respeito.

O respeito às diferenças é o primeiro aprendizado no contexto do amor fraternal, e experenciamos esse sentimento quando praticamos compaixão para com todos os seres da natureza. É a lei de causa e efeito que funciona tanto na dor quanto no amor.

Segundo o espiritismo, os animais tem alma (diferente da humana), inteligência rudimentar, evoluem, sobrevivem à morte do corpo físico e, na Terra, merecem o respeito e a proteção do homem.

Como a espécie hominal, a espécie animal também evolui lentamente no sentido da inteligência e da sensibilidade. Seus espíritos reencarnam e desencarnam acompanhando o ciclo da vida e da morte física. Porém, num patamar inferior ao homem.

Reportando-nos à história grega, conta-se que Licurgo foi convidado a falar sobre educação. O grande legislador de Esparta aceitou, mas pediu um ano para preparar o material que iria apresentar.

Exigência aceita, prazo cumprido, ei-lo diante da multidão que compareceu para ouvir-lhe os conceitos. Trazia duas gaiolas. Numa estavam dois cães; duas lebres na outra.

Sem nada dizer, tirou um animal de cada gaiola, soltando-os. Em instantes o cão estraçalhou a lebre.

Libertou em seguida os restantes. O público estremeceu, antevendo nova cena de sangue. Surpresa: o cão aproximou-se da lebre e brincou com ela. Esta correspondeu, sem nenhum temor às suas iniciativas.

"Aí está senhores -
esclareceu Licurgo-, porque pedi prazo tão extenso, preparando esses animais. O melhor discurso é o exemplo. O que mostrei exemplifica o que pode a educação, que opera até mesmo o prodígio de promover a confraternização de dois seres visceral e instintivamente inimigos".

O exemplo de Licurgo mostra-nos, que se é possível educar animais, mesmo antagônicos, levando-os à convivência pacífica, naturalmente será possível educar as crianças, incutindo-lhes desde cedo o respeito devido aos semelhantes e à natureza - fauna e flora.


Flavio Bastos - psicoterapeuta

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

TDO – Transtorno Desafiador Opositor


Todas as crianças passam por fases difíceis que muitas vezes poderiam ser descritas como “de oposição”, especialmente quando se está cansado, com fome, estressado ou chateado. Quando eles estão assim podem discutir, conversar, desobedecer e desafiar os pais, professores e outros adultos. Há também momentos no desenvolvimento normal que o comportamento de oposição é esperado, como por exemplo entre dois a três anos de idade ou até mesmo na pré-adolescência. Entretanto, o comportamento hostil se torna uma preocupação quando é freqüente e consistente, que se destaca quando comparado com outras crianças da mesma idade e nível de desenvolvimento e quando ela afeta a família da criança, social e a escola.

Para melhor entender, nada melhor como uma boa definição:

O transtorno de oposição (TDO) é um transtorno disruptivo, caracterizado por um padrão global de desobediência, desafio e comportamento hostil. A criança ou adolescente discute excessivamente com adultos, não aceitam responsabilidade por sua má conduta, incomodam deliberadamente os demais, possuem dificuldade de aceitar regras e perdem facilmente o controle se as coisas não seguem a forma que eles desejam (SERRA-PINHEIRO et al., 2004, p.273).

Em crianças com transtorno desafiador opositor (TDO), geralmente apresentam um padrão contínuo de comportamento não cooperativo, desafiante, desobediente e hostil incluindo resistência a figura de autoridade. O padrão de comportamento pode incluir:

Freqüentes acessos de raiva
Discussões excessivas com adultos, muitas vezes, questionando as regras
Desafio e recusa em cumprir com os pedidos de adultos
Deliberada tentativa de irritar ou perturbar as pessoas
Culpar os outros por seus erros e mau comportamento
Muitas vezes, ser suscetível ou facilmente aborrecido pelos outros
Freqüente raiva e ressentimento
Agressividade contra colegas
Dificuldade em manter amizades
Problemas acadêmicos

Embora não haja nenhuma causa claramente compreendida, acredita-se ser uma combinação de genética, ambiente, incluindo:

Disposição natural de uma criança
Limitações ou atraso no desenvolvimento da capacidade de uma criança no processo de pensamento e sentimento
Falta de fiscalização
Inconsistência ou disciplina severa
Abuso ou negligencia
Desequilíbrio de certas substancias químicas do cérebro, tais como a serotonina

Os sintomas são geralmente vistos em várias configurações, mas são mais perceptíveis em casa ou na escola. Muitos pais relatam que seu filho com TOD estava mais rígido e exigente que os irmão da criança, desde tenra idade.

Este problema é bastante comum, ocorrendo entre 2% e 16% das crianças e adolescente. Em crianças menores é mais comum em meninos, mas durante a adolescência ocorre com freqüência em ambos os sexos. O inicio é geralmente gradual e aumenta a gravidade dos problemas de comportamento ao longo do tempo.

A melhor maneira de tratar um criança com TDO inclui Psicoterapia infantil que abrange técnicas de manejo e modificação do comportamento, utilizando uma abordagem coerente da disciplina e seguir com reforço positivo de comportamentos adequados.

É muito difícil os pais lidarem com estas crianças e adolescentes, por isso é indicado Orientação de Pais para melhor entendê-los além de obterem apoio e compreensão e consequentemente receberem treinamento acerca de habilidades de manejo desta crianças.

O sucesso do tratamento requer empenho e acompanhamento em uma base regular de ambos pais e professores.


Por: Simone Barbosa Pasquini


quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Porque os países são diferentes




Investigações demonstram que a diferença entre os países pobres e os ricos não é a idade. Isto pode ser demonstrado por países como Índia e Egito, que têm mais de 2.000 anos e ainda são muito pobres.

Por outro lado, Canadá, Austrália e Nova Zelândia, que apenas 150 anos atrás eram desconhecidos, hoje são países desenvolvidos e ricos A diferença entre países pobres e ricos tampouco está nos recursos naturais disponíveis.

O Japão possui um território limitado, 80% montanhoso, inadequado para a agricultura e a criação de gado, mas é a segunda economia mundial. Este país é como uma imensa fábrica flutuante, importando matéria-prima de todo o mundo e exportando produtos manufaturados.

Outro exemplo é a Suíça, que não produz cacau, mas tem o melhor chocolate do mundo. Em seu pequeno território cria animais e cultiva o solo durante apenas quatro meses no ano. Não obstante, produz laticínios da melhor qualidade. É um país pequeno que oferece uma imagem de segurança, ordem e trabalho, transformando-o no caixa-forte do mundo.

Executivos de países ricos que se relacionam com países pobres evidenciam que não existe diferença intelectual realmente significativa. A raça, a cor da pele tampouco são importantes: imigrantes qualificados como preguiçosos em seus países de origem são a força produtiva de países europeus ricos.

Onde está, então, a diferença?
A diferença é a atitude das pessoas, moldada no decorrer dos anos pela educação e pela cultura.

Ao analisar a conduta das pessoas nos países ricos e desenvolvidos, constatamos que a grande maioria segue os seguintes princípios de vida:

1. A ética, como princípio básico.
2. A integridade.
3. A responsabilidade.
4. O respeito às leis.
5. O respeito pelos direitos dos demais cidadãos.
6. O amor pelo trabalho.
7. O esforço para economizar e investir.
8. O desejo de superar.
9. A pontualidade.

Nos países pobres, apenas uma minoria segue esses princípios básicos em sua vida diária. Não somos pobres porque nos faltam recursos naturais ou porque a natureza foi cruel conosco.
Somos pobres porque nos falta atitude. Nos falta vontade para cumprir e assumir esses princípios de funcionamento das sociedades ricas e desenvolvidas.

SOMOS ASSIM POR QUERER TOMAR VANTAGEM SOBRE TUDO e TODOS.

SOMOS ASSIM POR VER ALGO QUE ESTÁ MAL e DIZER: “DEIXA COMO ESTÁ”

DEVEMOS TER ATITUDES e MEMÓRIA VIVA SÓ ASSIM MUDAREMOS O BRASIL DE HOJE!

Provavelmente você é uma dessas pessoas que faz a diferença e luta para mudar nossa sociedade corrupta e sem princípios. Mas não esqueça que ainda existem muitos necessitando entender que a falta de princípios é a raiz da miséria.

Os pensamentos geram atitudes.
Atitudes geram hábitos.
Hábitos geram um estilo de vida.
Estilo de vida é o reflexo do caráter.
O caráter de um povo é o reflexo daquilo que ele pensa.
E seus representantes no governo, por isto, não pensam diferente.
Nós somos o que pensamos e não o que pensamos que somos.


Traduzido por Jorcelangelo L. Conti

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

BUSCA PELA SEXUALIDADE ( continuação)


Em seus devidos lugares

Dormir nos mesmos cômodos que os pais pode ser bastante prejudicial à criança, explica a psicóloga da Fundação de Assistência Social (FAS) Ana Maria Franchi Pincolini. Isso porque os casais acabam tendo vida conjugal misturada à vida familiar.

– Acho melhor 10 filhos em um quarto e o casal no outro do que cinco filhos em um quarto e os outros cinco no quarto do casal. Uma cortina ou um móvel qualquer pode fazer papel de divisória – diz.

Ana Maria lembra que não é só a falta de recursos que favorece essa realidade. Uma família superprotetora de classe média ou alta que deixa o filho ficar anos dormindo no quarto dos pais, às vezes até na cama do casal, está fazendo a mesma coisa. A psicóloga acrescenta que, desde pequena, a criança é capaz de entender que acontece algo quando os pais têm uma relação sexual. Ela até pode não saber o que se passa, mas percebe que não é bom para ela participar, orienta Ana Maria.

Dicas de livros
- Mamãe Botou um Ovo, de Babette Cole
- De Onde Viemos? Explicando às Crianças os Fatos da Vida, Sem Absurdos, de Peter Mayle e Arthur Robins

terça-feira, 2 de agosto de 2011

BUSCA PELA SEXUALIDADE

Instinto Natural





Desde o nascimento, a criança explora o prazer, os contatos afetivos e as relações de gênero

Qual pai ou mãe não fica em uma saia justa quando seus pequenos começam a descobrir a sexualidade? Atitudes embaraçosas e perguntas constrangedoras fazem parte do desenvolvimento saudável da criança. E é fundamental tentar perceber se elas estão demonstrando uma curiosidade de acordo com sua idade. Conforme a pedagoga Simone Selbach, que trabalha com crianças há 24 anos, elas começam a questionar sobre o assunto à medida em que descobrem o seu próprio corpo.

– O problema é que nem sempre os pais sabem como falar e pedem auxílio para isso. Não é porque viveram uma maior liberdade sexual que desenvolveram um entendimento completo sobre sua própria sexualidade – completa.

Em todos os momentos em que os pais são questionados, segundo a pedagoga, é aconselhável dar respostas verdadeiras e diretas. Para P.S., 30 anos (que prefere não se identificar), mãe de João, dois anos, é necessário falar abertamente, mas respeitando a faixa etária em que a criança estiver.

– Até esse momento, meu filho não despertou para certas atitudes, mas, como qualquer criança de sua idade, está descobrindo o seu corpo, se tocando e percebendo como é novo e bom se conhecer – complementa.

Quando P.S. percebe que a distração do filho com seu corpinho é demais, procura envolvê-lo com outras brincadeiras.

– Nunca reprimo o João, pois isso poderá gerar, segundo o pediatra dele, problemas futuros – justifica a mãe.

É preciso que os pais compreendam que essa descoberta é saudável para o desenvolvimento de uma sexualidade adulta sem traumas. A estudante universitária Sílvia Lopes, 36 anos, mãe de Rafael Lopes Ramos, 13 anos, sente mais vergonha de perguntar sobre o assunto agora que o filho está na pré-adolescência do que quando ele era pequeno. Sílvia recorda, entretanto, que, quando Rafael começou a ir para a escola, também vieram os questionamentos. Uma das tradicionais perguntas do garotinho era “Como nascem os bebês, mamãe?”. Ela disse a ele que Deus tinha uma sementinha rosa para as meninas e uma azul para os meninos.

– Hoje em dia, nem precisa mais dos pais para tirar as dúvidas, o Rafael vai na internet e descobre tudo – observa Sílvia.

MÁRCIA DORIGATTI- Zero hora

terça-feira, 12 de julho de 2011

É um perigo!!!!


Vale pela reflexão!
Além da CORRUPÇÃO que anda solta no país..., mais essa agora!!!!
Vamos rir ...para não chorar.

(Desconheço o autor)

Outro dia eu estava no mercado, quando vi, no final do corredor, um

amigo da época da escola, que não encontrava há séculos. Feliz com o
reencontro, me aproximei, já falando alto:
- Oswaldo, sua bichona! Quanto tempo!!!
E fui, com a mão estendida, para cumprimentá-lo. Percebi que o Oswaldo
me reconheceu, mas antes mesmo que pudesse chegar perto dele só vi o
meu braço sendo algemado.
- Você vai pra delegacia! – Disse o policial que costuma frequentar o mercado.
Eu, sem entender nada, perguntei:
- Mas o que foi que eu fiz?
- HOMOFOBIA! Bichona é pejorativo, o correto seria chamá-lo de homossexual.
Nessa hora, antes mesmo de eu me defender, o Oswaldo interferiu
tentando argumentar:
- Que é isso doutor, o quatro-olhos aí é meu amigo antigo de escola, a
gente se chama assim na camaradagem, mesmo!
- Ah, então você estudou vários anos com ele e sempre se trataram assim?
- Isso mesmo, doutor, é coisa de criança!
E, nessa hora, o policial já emendou a outra ponta da algema no Oswaldo:
- Então, você tá detido também.
Aí, foi minha vez de intervir:
- Mas, meu Deus, o que foi que ele fez?
- BULLYING! Te chamando de quatro-olhos por vários anos durante a escola.
Oswaldo, então, se desesperou:
- Que é isso, seu policial! A gente é amigo de infância! Tem amigo que
eu não perdi contato até hoje. Vim aqui comprar umas carnes prum
churrasco com outro camarada que pode confirmar tudo!
E, nessa hora, eu vi o Jairzinho "pé-de-pato" chegando perto da gente
com 2 quilos de alcatra na mão. Eu, já vendo o circo armado, nem
mencionei o pé-de-pato pra não piorar as coisas, mas ele, sem entender
nada ao ver o Oswaldo algemado, já chegou falando:
- Que porra é essa, negão, que que tu aprontou aí?
E aí não teve jeito, mesmo. Fomos os três parar na delegacia e, hoje,
estamos respondendo processo por HOMOFOBIA, BULLYING e RACISMO.

*Moral da história: Nos dias de hoje, é um perigo encontrar velhos amigos!*

quarta-feira, 6 de julho de 2011

FALTA DE TEMPO PODE SER SINÔNIMO DE ABANDONO?

A má formação de nossas crianças pode ser atribuída à nossa falta de tempo? E o afeto, onde fica quando os pais precisam se ausentar o dia inteiro e, às vezes, a semana inteira, para trazer para casa o sustento e o conforto da família?

É muito difícil dar conta da educação dos filhos com tão pouco tempo disponível para essa tarefa tão complexa, confiada por Deus e que exige de nós tanta paciência e responsabilidade!

E como administrar esse tempo?

Não existe receita para educar filhos, mas existe, sem dúvida, um ingrediente que deve estar sempre presente em todos os momentos: O AMOR. Quanto mais se ganha o coração de um filho, mais fácil fica essa tarefa tão complexa que se chama EDUCAR.

O importante é estar sempre atento para não confundir esse momento de "encontro" com a falta de limites. Quem é respeitado aprende a respeitar. Às vezes, é necessário podar aqui e ali para que os limites sejam estabelecidos com bastante clareza e, dessa forma, com muita tranqüilidade, a Educação se faça.

A minha experiência de quase trinta anos de trabalho com crianças, adolescentes e jovens, prova que eles estão gritando por limites, por direção, por aproximação, por atenção e por presença de amor.

Nós, educadores, sabemos bem a falta que faz essa presença tão importante dos pais na educação de nossos pequenos cidadãos. Já que esse é o momento, no qual valores básicos e imprescindíveis na formação do ser humano são transmitidos pelos pais aos filhos.

A escola, hoje em dia, tem uma responsabilidade muito maior do que tinha antigamente, quando só se fazia a complementação de valores. Nossos alunos já vinham sabendo usar de palavras simples, mas significativas como, por exemplo, por favor, muito obrigada, com licença, desculpa, etc. No entanto, sabemos que muitas vezes isso não é possível e que não se trata de displicência. E sim de um ritmo de rotina desenfreado, que consome o tempo do adulto de tal forma que quando ele se vê com tempo para o filho, ou ele usa esse tempo com bastante qualidade ou permite tudo para compensar aquela ausência que o deixa com sentimento de culpa.

E é nessa hora que o importante se perde, a qualidade do encontro se desencontra. E quando a gente, enquanto adulto, deixa de mostrar para nosso filho onde está o limite dele, ele cresce pensando que pode tudo, que o mundo é só dele e se esquece de ver no outro a imagem e semelhança de Deus.

Quando a parceria entre a escola e a família se faz, com seriedade e força, quando ambos usam a mesma linguagem, é possível cobrir essa defasagem que é tão significativa na vida do indivíduo.

Se você tem pouco tempo para a presença junto a seu filho, use-a com o máximo de qualidade possível. Mostre para seu filho o quanto você o ama, dando limites, afeto, carinho e acima de tudo mostrando o quanto ele é importante pra você. É preciso que seu filho se sinta amado e não é permitindo tudo que você mostra isso para ele. É sendo firme quando ele errar e elogiando quando ele acertar, valorizando pequenos gestos, sentindo seu cheiro, trocando calor. Enfim, a qualidade vai dando espaço para a educação que fará dele o cidadão capaz de transformar nossa sociedade.

Profª Neli Alves de Sales

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Filhos: a difícil arte de pôr limites




A coisa mais difícil que existe nesta vida é educar um ser humano, pois que demanda a nossa atenção por um tempo, que deixamos de perceber porque até o último momento podemos receber educação.

Alguns fatores apontam as causas da falta de limites na educação das crianças de um modo geral, destacando os valores morais que sumiram do nosso cenário, haja vista o enorme número de casos de corrupção ininterrupta; na política, empresas, igrejas, etc, apresentados na mídia, onde, dificilmente a lei consegue ser cumprida, ademais, instaurou-se na cultura a idéia de que ser esperto é a grande jogada, o contrário; uma tremenda burrice, então, por qual razão seguir regras?

Outro ponto importante vem a ser a ausência dos pais na vida da criança, em virtude da carga horária dedicada ao trabalho, deixando a convivência educacional aos cuidados da escola, desde os primeiros momentos, nas creches e nas instituições educacionais, do governo ou particulares. Esta necessidade familiar gerou um sentimento de culpa nos pais, que, para compensar tais circunstâncias, acabam sendo permissivos em demasia com os seus filhos, impedindo, por conseguinte, momentos de se educar e proporcionar os valores que devem ser seguidos; derivados dos próprios valores existentes nos pais e na constituição da personalidade da criança. Contudo, abre-se nova polêmica neste rastro de educação sem limites, ao lembrarmos que muitos pais com filhos hoje adolescentes e outros adultos vêm de uma geração na qual pregou por muitos anos a idéia de que a liberdade total era a melhor saída, contrapondo à idéia de repressão sócio-histórica vivida por eles em sua juventude, o que acarretou em juízo de valores distorcido, vindo de um radicalismo social para outro, sem fazer "escola" desta forma de se educar. Não houve ponderação e conseqüentemente faltou um plano mediano que fosse sendo ajustado à medida que as demandas surgissem. Simplesmente foi-se estabelecendo este modelo de educação até o momento em que se evidenciaram os desastrosos resultados.

Outra condição a ser pensada é o exagero que os pais têm com relação aos traumas que poderão causar, caso venham a ser mais enérgicos na educação dos seus filhos. Usar o bom senso e algumas regras para estabelecer limites na educação infantil não arranca pedaço de ninguém. Faz-se necessária a consciência de que para educar é preciso esforço, dedicação, perseverança e paciência; muita paciência.

Nas escolas a relação entre o aluno e o professor chegou a uma condição muito favorável, quando entendemos que a participação do aluno está maior, diferentemente de outras épocas onde o papel se restringia apenas a ouvir e guardar as informações que chegavam.

A criança de hoje está mais bem estimulada e responde com maior agilidade ao meio, o que lhe confere a boa posição de ser participante nos grupos sociais; casa e escola especialmente. Todavia, dada a falta de condução por conta da educação sem limites, a criança acaba se tornando um canhão sem direção, que atira para vários lados ao acaso a acerta em quem estiver na trajetória, e a si mesma invariavelmente.

Para ilustrar este contexto da educação sem limites, relatarei uma cena que vi na sala de diretoria de uma escola do governo. De um lado encontrava-se a vice-diretora desta instituição, a qual descrevia o descaso de um aluno com relação aos estudos, seu comportamento rebelde e desrespeitador mediante as regras daquela escola, exaltando o fato de que este menino, de aproximadamente onze anos, já havia "bombado" em ano anterior e que em seu boletim constavam muitas faltas. De outro lado, a mãe, estupefata com aquelas faltas, tentando compreender aquele furacão que se lhe apresentava. Ao lado da mãe que estava sentada, encontrava-se sua filha menor, à frente do referido estudante, e ao lado dele outra irmã, presumivelmente mais velha. O quadro estava formado; o garoto permaneceu imóvel entre as pessoas de sua família e apenas comentou em tom humilde que a direção da escola lhe perseguia há muito tempo e que ele era bonzinho. Apesar da postura de cobrança por parte da diretoria da escola, é quase impossível obter do aluno um comportamento adequado, uma vez que lhe falta o direcionamento educacional, sutilmente revelado pela mãe quando alegou não ter tempo de poder criar o próprio filho, permanecendo ausente em virtude do trabalho.

Tal situação é comum e é clara quanto às dificuldades existentes para todas as partes: do aluno que precisa e não tem a educação fundamental de ser acompanhado em casa por seus responsáveis; dos pais, que não têm tempo e sentem a dificuldade se ampliar conforme o tempo passa, desestimulando cada vez mais, ter que mexer com esta situação, e, para a escola, que acaba arcando com tal responsabilidade, sem ter estrutura para isso. A situação destas várias crianças e de suas famílias é caótica, não existindo meio termo para classificar o que se passa nesta inversão de valores, onde inexiste a educação pautada em acompanhamento e com limites. Muitos pais crêem que o tempo dará jeito na questão, deixando à sorte o futuro de seus filhos.

O exercício do viver só é realizável vivendo, na prática, e o mesmo ocorre com a educação, portando, é preciso arregaçar as mangas e assumir o papel de orientador, de guia, de educador. Começar, antes tarde do que nunca a se envolver neste processo importante e determinador da vida do ser humano, cavando tempo e espaço para esta empreitada. Sempre que desejamos muito alguma coisa damos um jeito no tempo e espaço para alcançá-la. O que nos impede de lutar por esta causa mais do que nobre? Qual medo existe em tentar educar os próprios filhos?

Como em qualquer situação da vida, haverá tropeços, que darão lugar ao adequado proceder conforme a prática e a persistência desta convivência. Os rumos poderão ser diferentes, e certamente o serão. Outros benefícios virão naturalmente, como um maior sentimento de amor próprio, e em muitos casos, a unidade familiar. Mas é preciso começar, tentar, fazendo acontecer. Confie em si mesmo e mude o cenário, assumindo as responsabilidades e transmitindo muitos valores aos seus filhos, por via de uma educação que dá segurança e conforto, pois todos nós sempre desejamos isto.


* Armando Correa de Siqueira Neto (psicólogo)

sábado, 11 de junho de 2011

TABUADA COM OS DEDOS

TABUADA DA MULTIPLICAÇÃO: memorizar e aprender



Muitos professores ainda se questionam sobre a importância ou não, da memorização da tabuada.

Normalmente o que se decora acaba por ser esquecido, portanto, há um entendimento generalizado em dar prioridade à compreensão da tabuada em detrimento da sua memorização. A ideia que fica é que o aluno, em qualquer altura, consegue construir a tabuada não havendo portanto, a necessidade de a decorar.

No entanto, em níveis de escolaridade mais avançada os professores queixam-se dos alunos não saberem a tabuada. Esta situação impossibilita o desenvolvimento de outras técnicas de cálculo e exploração de novos conceitos matemáticos .

A questão da memorização, a meu ver, é uma atividade de especial importância na formação escolar e, cabe à escola desenvolver no aluno, de acordo com a sua forma de pensar, a capacidade em descobrir as melhores técnicas que facilitem a sua memorização.
Constata-se que a grande dificuldade na memorização da tabuada, na maior parte dos alunos, é a partir da tabuada do seis.

Partindo-se do princípio que o aluno não tem dificuldade em saber a tabuada até ao cinco, toda a outra tabuada se torna muito fácil. Assim, qualquer aluno poderá confirmar, de forma autónoma, o produto de dois números maiores que cinco e de um só dígito.

SUGESTÃO PARA A TABUADA DO 6,7,8 E 9

Tomemos como exemplo o produto de 7 por 8 (7x8). Basta representar o sete numa mão e o oito na outra mão. Dado que as mãos têm apenas cinco dedos, então recorremos aos dedos dos pés para ajudar nessa representação. Assim, tendo cinco dedos nos pés mais 2 dedos levantados na mão, será uma forma de representar o sete. Seguindo a mesma técnica não há dificuldade em representar o oito - três dedos levantados na mão.


Agora, é só adicionar os dedos “levantados”, 2+3=5, e juntar à direita deste, o produto obtido pelos dedos “deitados”, 3x2=6. Obtém-se assim 56 o que corresponde ao produto pretendido: 7x8=56.

Creio que olhar mais vezes para as mãos, este algoritmo que parece ser complicado no início, poderá entrar na rotina e, para além de ajudar a memorizar a tabuada, é um exercício que também desenvolve a abstracção do aluno e consolida outros conhecimentos a favor de outras novas técnicas de cálculo mental.

Importante: Repare que a soma dos dedos “levantados” corresponde ao número de dezenas, e o produto dos dedos “deitados” corresponde ao número de unidades. Estes dois valores adicionados dão sempre o resultado pretendido. Faço este reparo para que saiba aplicar o algoritmo quando pretende determinar 6x6 ou 6x7.

mãos:
dedos "levantados" : 1+1= 2
dedos "deitados" : 4x4= 1 6

ou seja: Dezenas(2 e 1) +unidades(6) = produto ( 6x6=36)

Fonte: Prof. J.Filipe (Portugal)

SUGESTÃO QUE FUNCIONA APENAS PARA A TABUADA DO 9:

Há um modo interessante para se obter a tabuada do nove usando os dedos das mãos. Coloque as mãos abertas sobre a mesa.
Figura 97

Vamos obter, por exemplo, 3 x 9. Dobre o 3° dedo, a contar da esquerda para a direita.
Figura 98

Veja que, á esquerda do dedo dobrado, ficaram dois dedos e, á sua direita, 7 dedos.
Figura 99

Eis o resultado: 3 x 9 = 27!

Veja como se obtém 6 x 9:
Figura 100

terça-feira, 7 de junho de 2011

DIFERENÇA...NÃO É DEFICIÊNCIA!!


"UMA ROSA COM OUTRO NOME"
Imagine por um instante que você está visitando um viveiro de plantas. Você percebe uma agitação lá fora e vai investigar. Você encontra um jovem assistente lutando contra uma roseira. Ele está tentado forçar as pétalas da rosa a se abrirem, e resmunga insatisfeito. Você lhe pergunta o quê está fazendo e ele explica: "meu chefe quer que todas essas rosas floresçam essa semana, então na semana passada eu cortei todas as precoces e hoje estou abrindo as atrasadas". Você protesta dizendo que cada rosa floresce a seu tempo, é absurdo tentar retardar ou apressar isso. Não importa quando a rosa vai desabrochar - uma rosa sempre desabrocha no momento mais oportuno para ela. Você olha novamente a rosa e percebe que ela está murchando, mas quando você o alerta, ele responde: "Ah, isso é mau, ela tem disdesabrochamento congênito. Vamos ter que chamar um especialista". Você diz: "Não, não! Foi você quem fez a rosa murchar! Você só precisaria satisfazer as exigências de água e luz da planta e deixar o resto por conta da natureza!" Você mal consegue acreditar no que está acontecendo. Por quê o chefe dele é tão mal informado e tem expectativas tão irreais em relação às rosas? Essa cena nunca teria se passado em um viveiro, é claro, mas acontece todo o dia em nossas escolas. Professores pressionados por um sistema seguem calendários oficiais que exigem que todas as crianças aprendam no mesmo ritmo e do mesmo jeito. No entanto, as crianças não diferem das rosas em seu desenvolvimento: elas nascem com a capacidade e o desejo de aprender, e aprendem em ritmos diferentes e de modos diferentes. Se formos capazes de satisfazer suas necessidades, proporcionar um ambiente seguro e propício e evitar nos intrometer com dúvidas, ansiedades e calendários arbitrários, aí então - como as rosas - as crianças irão desabrochar cada uma há seu tempo.

Por Jan Hunt, Psicóloga Diretora do "The Natural Child Project”.